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A Humanitarian Country Team (HCT), órgão que coordena mais de 200 organizações não-governamentais com a ONU, alertou para o impacto devastador das novas exigências israelitas sobre as operações humanitárias nos territórios palestinianos. A regulamentação, introduzida a 9 de março, obriga as organizações a partilhar informações pessoais sensíveis dos seus funcionários palestinianos para poderem continuar a operar.
O ministro dos Assuntos da Diáspora e da Luta contra o Antissemitismo israelita, Amichai Chikli, defendeu as medidas, argumentando que várias organizações humanitárias têm servido de cobertura para atividades hostis, incluindo violações de fronteiras e assédio a residentes e soldados. Garantiu que as organizações sem ligações a atividades violentas ou ao movimento de boicote manterão autorização para operar.
A HCT revelou que em julho Israel rejeitou pedidos de 29 ONG para enviar ajuda humanitária a Gaza, alegando falta de autorização. As organizações que não estão registadas no novo sistema estão impedidas de enviar qualquer tipo de ajuda para o território.
As restrições já afetaram a entrega de bens essenciais como medicamentos, alimentos e produtos de higiene. A HCT alerta que sem a cooperação entre ONG internacionais e palestinianas, as operações serão interrompidas, privando as comunidades de acesso a serviços básicos.
O contexto é particularmente crítico, com Gaza a enfrentar uma potencial “fome generalizada” segundo a ONU. Desde os ataques do Hamas em outubro de 2023, que causaram cerca de 1.200 mortos em Israel, a resposta israelita provocou mais de 61 mil mortos palestinianos. Mais de 180 pessoas, maioritariamente crianças, já morreram de desnutrição e fome no território.
Apesar de Israel ter flexibilizado em maio o bloqueio total imposto em março, apenas autoriza a entrada de quantidades muito limitadas de ajuda. A ONU estima que 1.373 palestinianos foram mortos, principalmente por tiros israelitas, desde 27 de maio “enquanto procuravam comida”.
A HCT sublinha que impedir as ONG de participar na resposta humanitária viola as obrigações de Israel ao abrigo do direito internacional humanitário, especialmente num momento em que são reportadas mortes diárias por fome em Gaza.
NR/HN/Lusa



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