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Investigadores da North Carolina State University (NC State) descobriram que diferentes estirpes de probióticos comerciais podem ter efeitos drasticamente opostos na recuperação da microbiota intestinal após tratamento com antibióticos, podendo acelerar ou atrasar o restabelecimento da resistência a infeções como a causada por Clostridioides difficile (C. diff). O estudo, realizado em modelo animal, demonstra que a eficácia dos probióticos é altamente específica e situacional.
A equipa, liderada pela professora de doenças infecciosas Casey Theriot e pelo professor Todd R. Klaenhammer Distinguished de Ciências Alimentares, Rodolphe Barrangou, ambos autores correspondentes, tratou três grupos de ratos com o antibiótico de largo espectro cefoperazona. Um grupo não recebeu probióticos, o segundo recebeu Lactobacillus acidophilus e o terceiro Lactobacillus gasseri, duas estirpes probióticas comuns. Durante quatro semanas, todos os grupos foram expostos semanalmente a C. diff, analisando-se a carga bacteriana e a resistência à colonização.
Os resultados, publicados na revista mBio, foram claros:
- O grupo sem probióticos recuperou a resistência ao C. diff às quatro semanas.
- O grupo que recebeu L. acidophilus apresentou uma carga bacteriana elevada nas semanas dois e três, indicando um atraso na recuperação da resistência.
- O grupo com L. gasseri não apresentou C. diff detetável já na segunda semana, mostrando uma recuperação acelerada.
Curiosamente, o L. gasseri não colonizou permanentemente o intestino. Em vez disso, produziu bacteriocinas (peptídeos antimicrobianos) e estimulou o crescimento de bactérias benéficas da família Muribaculaceae, promovendo indiretamente a recuperação do microbioma e a resistência.
“Esta é a única investigação que testa funcionalmente a resistência no microbioma”, afirmou Casey Theriot. “Mostra que precisamos de compreender melhor mecanicamente como os probióticos afetam o microbioma, porque não só podem ter efeitos semanas depois de deixarem o corpo, como em certas situações têm o potencial de prolongar ou complicar a recuperação.”
Rodolphe Barrangou sublinhou: “Sempre soubemos que é importante compreender o impacto específico da estirpe probiótica. Dependendo da condição e composição do microbioma do indivíduo, da doença e da estirpe probiótica, terá efeitos e resultados diferentes. O que é interessante é que este estudo indica que é mais complicado do que se pensava, porque os probióticos podem ter efeitos transitórios ou indiretos.”
O estudo, que teve como primeiro autor Matthew Foley e incluiu Arthur McMillan, Sarah O’Flaherty, Rajani Thanissery, Molly Vanhoy e Mary Fuller da NC State, foi financiado por bolsas de formação do NIH através do University of North Carolina Center for Gastrointestinal Biology and Disease (CGIBD) e do Molecular Biotechnology Training Program (MBTP) da NC State.
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https://news.ncsu.edu/wp-admin/post.php?post=1528253&action=edit



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