Investigação da Universidade de Gotemburgo analisa 175 casos de violência letal por mulheres

10 de Agosto 2025

Mulheres que cometem violência letal agem principalmente por se sentirem ameaçadas, não por psicopatia. Estudo sueco com 175 casos revela que metade tinha transtorno mental grave, com planeamento limitado. Prevenção exige perguntar sobre pensamentos violentos

Um estudo da Universidade de Gotemburgo, publicado no International Journal of Forensic Mental Health, concluiu que mulheres que cometem violência letal raramente apresentam traços de psicopatia. Em vez disso, agem predominantemente sob elevada excitação emocional, motivadas pela perceção de ameaça a si próprias ou a terceiros. A investigação analisou todos os 175 casos na Suécia (2000–2014) em que mulheres foram submetidas a avaliações psiquiátricas forenses após acusações de homicídio ou tentativa de homicídio.

Cerca de metade das mulheres (50%) foi diagnosticada com transtorno mental grave — conceito médico-legal que determina a necessidade de cuidados psiquiátricos em vez de prisão. Este grupo demonstrou um ligeiro grau de planeamento prévio, com pensamentos violentos até 24 horas antes do ato. Contudo, não houve evidências de preparação prolongada. Em comparação, mulheres sem transtorno mental grave relataram maior sensação de provocação imediata durante os episódios.

Karin Trägårdh, psicóloga forense do Hospital Universitário Sahlgrenska e autora principal do estudo, sublinha: “Mulheres com transtorno mental grave apresentam um grau ligeiramente superior de planeamento de curto prazo do que as outras, o que é relevante. Não associamos habitualmente doenças mentais graves a atos premeditados”.

O estudo confirma que motivações reativas (e.g., autodefesa) predominam sobre motivações instrumentais (e.g., ganho material ou poder), alinhando-se com pesquisas anteriores. A maioria das envolvidas tinha histórico de exposição a violência, tentativas de suicídio e contacto prévio com serviços de saúde.

Implicações para prevenção

Trägårdh enfatiza a necessidade de profissionais (polícia, serviços sociais, saúde) questionarem mulheres em risco sobre pensamentos violentos“Apesar de raro, não podemos evitar investigar esta possibilidade. Muitas procuram ajuda antes de agir, o que abre janelas para intervenção”.

Contexto adicional:

  • Psicopatia: Traços como falta de empatia ou manipulação não foram determinantes nos casos analisados.
  • Transtorno mental grave: Avaliado pelo Instituto Nacional de Medicina Forense da Suécia para definir medidas judiciais.

Fonte do estudo:
https://www.gu.se/en/news/perceived-threats-behind-womens-lethal-violence

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