Investigadores Britânicos Desenvolvem Bactérias “Inteligentes” para Aumentar Produção Agrícola

11 de Agosto 2025

Cientistas da Northumbria University desenvolvem bactérias geneticamente modificadas que reprogramam plantas em tempo real para manterem crescimento sob stress moderado, como seca ou falta de nutrientes. Financiados pela ARIA, o projeto visa aumentar a produção alimentar global

Investigadores da Northumbria University, em Newcastle, estão a desenvolver uma abordagem revolucionária para aumentar a segurança alimentar global face ao declínio das colheitas e ao crescimento populacional. A equipa multidisciplinar, liderada pelo Dr. Ciarán Kelly (Professor Assistente em Biologia Sintética), Dra. Emma Riley (Investigadora Sénior em Biociências) e Dra. Angela Sherry (Professora Associada em Ambientes Microbianos), em colaboração com as universidades de Oxford e Leeds, foi selecionada pela Agência de Investigação e Invenção Avançada (ARIA) do Reino Unido como um dos 14 “R&D Creators” para receber cerca de meio milhão de libras.

O financiamento, no âmbito do programa “Programmable Plants” da ARIA, liderado pela Diretora de Programa Angie Burnett, suporta o projeto de 18 meses “Smart Engineered Bacterial Conduits for Enhanced Crop Performance”. O objetivo é criar bactérias modificadas que atuem como “condutores inteligentes” entre as plantas e o ambiente. Estas bactérias detetarão sinais de stress ambiental (como seca moderada ou baixos níveis de nitrato no solo) e sinais das plantas, reequilibrando depois as hormonas vegetais em tempo real. Isto permite que as culturas mantenham o crescimento sob condições de stress moderado, contrariando a resposta natural de defesa que prejudica o rendimento.

As plantas evoluíram para priorizar a sobrevivência em vez do rendimento“, explicou o Dr. Kelly. “Este mecanismo de sobrevivência natural é contraproducente para a produção de alimentos. Até um stress moderado faz com que as plantas desliguem o crescimento e mudem para o modo de defesa“. A inovação da equipa reside na introdução de “controlo dinâmico rápido do comportamento das culturas no campo“, reprogramando a planta instantaneamente para responder adequadamente ao stress.

A Dra. Riley, cuja investigação de doutoramento focou interações planta-bactéria, destacou: “Estamos a construir décadas de investigação sobre bactérias promotoras de crescimento de plantas já usadas com segurança na agricultura. A nossa inovação é adicionar inteligência programável a estes sistemas robustos, permitindo intervenção dinâmica com base em condições de stress em tempo real“.

O Dr. Kelly enfatizou a mudança de paradigma: “Não estamos apenas a ajustar sistemas existentes – estamos a reimaginar completamente como abordamos o desenvolvimento de culturas. Em vez do processo tradicional de modificação genética de plantas em laboratório, que demora meses, estamos a usar bactérias inteligentes para transformar o comportamento da planta no próprio campo“.

A tecnologia, que poderá estar pronta para uso em campo dentro de 10-20 anos (inicialmente em regiões que já utilizam bactérias geneticamente modificadas), promete desbloquear o potencial máximo de rendimento das culturas, reduzindo simultaneamente a dependência de fertilizantes e pesticidas. A seleção pela ARIA, que financia ciência de ponta para o Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia do Reino Unido, sublinha o potencial de impacto global da investigação.

Saiba mais sobre investigação na Northumbria University: https://www.northumbria.ac.uk/research

 

NR/HN/ALphaGalileo

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Para que serve a Medicina do Trabalho?

Nuno Saldanha: Médico especialista em Medicina do Trabalho e Candidato pela Lista A ao Colégio de Medicina do Trabalho; Fellow of the European Board in Occupational Medicine e Pós-graduado em Gestão na Saúde pela Católica Porto Business School

Cuidados continuados integrados: o desafio da fragmentação em Portugal

A prestação de cuidados continuados em Portugal caracteriza-se pela fragmentação entre serviços de saúde e sociais, criando lacunas na assistência a idosos e pessoas com dependência. A falta de coordenação entre os diferentes níveis de cuidados resulta em transições inadequadas e sobrecarga para as famílias

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights