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Um novo estudo genético, publicado a 21 de julho de 2025 na Nature Medicine, demonstra que a análise do risco de obesidade na idade adulta pode ser prevista desde a infância. A investigação, liderada pelas Universidades de Copenhaga e Bristol, recorreu a dados genéticos de mais de cinco milhões de pessoas — o maior conjunto de dados diversificado até à data, incluindo contribuições do consórcio Genetic Investigation of ANthropometric Traits (GIANT) e da empresa de testes de ADN 23andMe.
A equipa internacional desenvolveu um “polygenic risk score” (PGS) que explica 17% da variação do Índice de Massa Corporal (IMC) — o dobro da eficácia de métodos anteriores. O PGS revelou padrões consistentes a partir dos cinco anos de idade, antes da influência de fatores ambientais ou comportamentais. Roelof Smit, professor assistente na Universidade de Copenhaga e autor principal, sublinhou: “O timing antes dos cinco anos é crucial. Intervir aqui poderia ter um impacto enorme”.
O estudo, que incluiu dados longitudinais do estudo britânico Children of the 90s, identificou que indivíduos com maior risco genético respondem melhor a intervenções (como dieta e exercício), mas também recuperam peso mais rapidamente quando estas cessam. Kaitlin Wade, professora associada de Epidemiologia na Universidade de Bristol e coautora, destacou: “Esta investigação pode detectar precocemente indivíduos em alto risco, com vasto impacto clínico e na saúde pública”.
Apesar do avanço, o PGS mostrou limitações: prevê obesidade com maior precisão em pessoas de ancestralidade europeia do que africana, salientando a necessidade de estudos mais representativos. A Federação Mundial de Obesidade estima que mais de metade da população global terá excesso de peso ou obesidade até 2035, realçando a urgência de estratégias preventivas baseadas em risco genético.



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