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O diretor do Serviço de Pneumologia do Centro Hospitalar Universitário de Coimbra (CHUC), Carlos Robalo Cordeiro, alertou esta segunda-feira, 18 de agosto, que idosos e doentes cardiorrespiratórios “têm de sair das zonas de risco” com elevada concentração de fumos e poeiras resultantes de incêndios. O especialista sublinhou que a permanência nestas áreas pode desencadear agudizações graves das suas condições de saúde.
Em declarações à agência Lusa, Robalo Cordeiro explicou que os incêndios provocam duplo efeito nocivo: elevam as temperaturas – afetando idosos e portadores de doenças cardiovasculares e respiratórias – e geram fumos com gases tóxicos como dióxido e monóxido de carbono. “Aumentam substâncias que dificultam uma respiração normal”, afirmou. O perigo intensifica-se quando os fogos atingem zonas industriais ou urbanas, libertando componentes perigosos adicionais.
“Estas pessoas com idades avançadas e problemas crónicos têm de ser mais protegidas. A medida [de sair das zonas de risco] permite prevenir agudizações ou descompensações”, insistiu o pneumologista. Contudo, frisou que o ambiente dos incêndios é “agressivo para todo o tipo de pessoas”, podendo causar desde bronquites até patologias pulmonares graves, dependendo dos materiais queimados.
Como medidas de proteção imediatas, Robalo Cordeiro recomendou o uso de máscaras, toalhas húmidas ou respiradores para reduzir a inalação de partículas. Reiterou ainda que a exposição prolongada aos fumos tem impactos significativos a curto e longo prazo na saúde.
O alerta surge num contexto de múltiplos incêndios rurais em Portugal continental desde julho, sobretudo no Norte e Centro, com 172 mil hectares ardidos até 17 de agosto – valor superior à área total queimada em 2024. O país está em situação de alerta desde 2 de agosto, com dois mortos e vários feridos. Dois aviões Fire Boss chegaram hoje ao abrigo do Mecanismo Europeu de Proteção Civil para reforçar o combate às chamas.
NR/HN/Lusa



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