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Legenda da imagem: Maria Eriksson, professora do Departamento de Medicina em Huddinge, Instituto Karolinska. Foto: Stefan Zimmerman
Dois novos estudos conduzidos pelo Karolinska Institutet, na Suécia, demonstram que as mutações somáticas – alterações genéticas não hereditárias que ocorrem em tecidos como músculos e vasos sanguíneos ao longo da vida – têm um impacto direto no envelhecimento, reduzindo a capacidade de regeneração celular, diminuindo a força muscular e acelerando a degradação vascular. Os resultados, publicados na revista Nature Aging, podem abrir caminho a novas abordagens terapêuticas para doenças relacionadas com a idade.
As mutações somáticas resultam de fatores ambientais ou de erros durante a replicação do DNA e estão associadas não apenas ao cancro, mas também a processos de envelhecimento acelerado. A investigadora principal Maria Eriksson, professora no Departamento de Medicina de Huddinge, explica: “Descobrimos que mutações que se acumulam em células musculares e vasos sanguíneos afetam a função do tecido e a sua capacidade de regeneração – uma capacidade que também diminui com a idade”.
Num dos estudos, a equipa liderada por Eriksson identificou a presença de uma mutação específica, idêntica à encontrada na progéria – uma doença rara que provoca envelhecimento prematuro em crianças – em pacientes com doença renal crónica. A mutação leva à produção de progerina, uma proteína patogénica, nas paredes vasculares. Gwladys Revêchon, primeira autora do estudo e investigadora de pós-doutoramento, adianta: “Uma mutação somática ocorreu nas paredes vasculares dos doentes e suspeitamos que está relacionada com os danos vasculares frequentemente associados à doença renal”.
Em experiências complementares com modelos murinos, verificou-se que células produtoras de progerina podem propagar-se e agrupar-se ao longo dos vasos, contribuindo para danos nos tecidos e envelhecimento vascular precoce. A investigação contou com a colaboração de Peter Stenvinkel, professor de nefrologia e consultor no Karolinska University Hospital, que afirmou: “Estou muito satisfeito por podermos agora compreender melhor porque é que pessoas com doença renal se tornam tão vulneráveis a complicações vasculares”.
Num segundo estudo, focado em tecido muscular, os investigadores utilizaram um modelo animal para analisar o impacto de mutações somáticas na força muscular. A acumulação dessas mutações durante processos de regeneração – como os que ocorrem após lesão ou esforço – resultou em regeneração muscular deficiente, redução do tamanho das células, perda de massa muscular e diminuição da força de preensão.
Os resultados sugerem que mutações somáticas têm um papel relevante no declínio funcional associado ao envelhecimento. “Uma melhor compreensão de como estas mutações afetam a função dos tecidos pode ajudar a desenvolver novos biomarcadores e tratamentos para doenças relacionadas com a idade”, concluiu Maria Eriksson. “Os nossos resultados demonstram também o valor de estudar doenças raras, pois podem fornecer novas abordagens para condições mais comuns”.
Referências: “Recurrent somatic mutation and progerin expression in early vascular aging of chronic kidney disease”, Gwladys Revêchon, Anna Witasp, Nikenza Viceconte, Hafdis T. Helgadottir, Piotr Machtel, Fabiana Stefani, Daniel Whisenant, Agustin Sola-Carvajal, Dagmara McGuinness, Nadia O. Abutaleb, Gonzalo Artiach, Emelie Wallén Arzt, Inga Soveri, Anne Babler, Susanne Ziegler, Rafael Kramann, Magnus Bäck, Anders Thorell, George A. Truskey, Lars Wennberg, Paul G. Shiels, Annika Wernerson, Peter Stenvinkel, Maria Eriksson, Nature Aging, online 10 June 2025, doi: 10.1038/s43587-025-00882-6.
https://doi.org/10.1038/s43587-025-00882-6
NR/HN/ALphaGalileo



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