Tribunal britânico suspende contestado acolhimento de requerentes de asilo em hotel

20 de Agosto 2025

O Tribunal Superior de Londres ordenou hoje a suspensão temporária do acolhimento de requerentes de asilo num hotel perto da capital britânica, a pedido do município e após violentos protestos anti-imigração.

O juiz Stephen Eyre decidiu hoje que os requerentes de asilo alojados no Bell Hotel, em Epping, têm até 12 de setembro para desocupar as instalações, apesar de os advogados do Ministério do Interior terem argumentado durante a audiência que tal decisão prejudicaria seriamente a capacidade do Estado de fornecer alojamento aos requerentes de asilo.

Já o líder do município de Epping, Chris Whitbread, saudou as “excelentes notícias”, face à pressão a que a comunidade local tem estado sujeita nas últimas semanas, com protestos violentos.

O recurso foi interposto em 12 de agosto pelo município, após surgirem tensões causadas pela acusação de que um requerente de asilo terá tentado beijar uma adolescente, o que o acusado nega.

Em diversas ocasiões, e sob forte presença policial, ocorreram aglomerações em frente ao Bell Hotel e algumas degeneraram em violência, resultando em oito polícias feridos e pelo menos dez pessoas acusadas.

Noutros hotéis que acolhem migrantes no Reino Unido, incluindo no distrito financeiro londrino de Canary Wharf, também se registaram protestos e detenções pela polícia.

Há um ano, numa vaga de protestos anti-imigração, os manifestantes tentaram incendiar um destes estabelecimentos em Rotherham, no nordeste de Inglaterra.

Esta decisão do Tribunal Superior de Londres pode levar outras comunidades britânicas a recusarem que os hotéis sejam utilizados para alojar requerentes de asilo.

O governo trabalhista prometeu reduzir a utilização desta dispendiosa forma de alojamento e afirma que o número de estabelecimentos em utilização já desceu de 400 no verão de 2023 “para menos de 210”.

De acordo com o Ministério do Interior, no final de março mais de 32 mil migrantes estavam alojados em hotéis, a expensas dos contribuintes britânicos.

O primeiro-ministro, Keir Starmer, que tinha prometido reprimir a imigração, não conseguiu impedir as travessias ilegais do Canal da Mancha.

Desde que assumiu o cargo, no início de julho de 2024, mais de 50.000 migrantes chegaram às costas inglesas em pequenos barcos, dos quais cerca de 28.000 desde o início do ano, de acordo com dados publicados pelo Ministério do Interior.

lusa/HN

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