Governo moçambicano admite que se “rouba muito medicamento” nos hospitais

21 de Agosto 2025

O ministro da Saúde de Moçambique admitiu hoje que se "rouba muito medicamento" nos hospitais do país, referindo que "desaparece tudo" em menos de 15 dias após distribuição dos fármacos nas unidades.

“Peço também vossa ajuda no controlo do roubo de medicamentos, rouba-se muito medicamento nos hospitais”, disse Ussene Isse, à margem de um encontro com enfermeiros em Maputo.

O ministro da Saúde afirmou que o Estado moçambicano compra medicamentos que “até sobram” para o país, mas acabam em pouco tempo devido aos casos de furto.

O Governo moçambicano expulsou desde janeiro pelo menos 15 funcionários públicos do aparelho do Estado por envolvimento no furto de medicamentos nas unidades de saúde, noticiou a Lusa em 31 de julho.

“O roubo de medicamentos está a criar défice nas unidades sanitárias. Para combater o cenário, o Ministério da Saúde criou um sistema de denúncias de venda de medicamentos do Sistema Nacional Fora das Unidades Sanitárias”, disse na altura o ministro da Saúde, em declarações aos jornalistas.

Segundo o governante, a maioria dos profissionais envolvidos são das províncias de Manica, Tete, Niassa e Zambézia, atos que o Governo está a combater através da colaboração entre as comunidades e as autoridades sanitárias, incluindo o recurso a denúncias.

O Presidente de Moçambique anunciou, em 30 de julho, que o país passa a usar um sistema tecnológico de rastreamento de medicamentos e produtos de saúde, cujo objetivo é precisamente travar o furto dos fármacos.

Segundo o chefe do Estado moçambicano, a iniciativa de avançar com um sistema tecnológico de rastreamento de medicamentos desde a fábrica até à cadeia de distribuição, com recurso a selo, faz parte de uma estratégia do Governo para o que chamou de “soberania sanitária”, que visa tirar o país da dependência no acesso aos produtos fármacos, sobretudo em tempos de crise onde há escassez.

lusa/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Trabalhadores do INEM definem fronteiras intransigentes para negociação da reestruturação

Os profissionais do Instituto Nacional de Emergência Médica estabeleceram esta quarta-feira as suas condições non negotium para o diálogo com a direção, num clima de apreensão face ao plano de refundação da instituição. A assembleia geral aprovou por larga margem um conjunto de exigências que consideram fundamentais, num movimento que antecede as conversações formais com o conselho diretivo liderado por Luís Mendes Cabral.

OMS reafirma não existir ligação entre as vacinas e o autismo

Uma nova análise de especialistas da Organização Mundial da Saúde sobre a segurança das vacinas concluiu que não existe qualquer relação causal entre as vacinas e as perturbações do espectro do autismo (PEA), indicou a OMS na quinta-feira.

20.º Congresso Português do AVC realiza-se em Braga com organização conjunta da SPAVC e SPNI

O 20.º Congresso Português do AVC será realizado de 28 a 30 de janeiro de 2026, no Espaço Vita, em Braga. Esta edição marca uma novidade significativa, pois é a primeira vez que o evento se realiza na cidade de Braga e sob organização conjunta da Sociedade Portuguesa do AVC (SPAVC) e da Sociedade Portuguesa de Neurorradiologia de Intervenção (SPNI). 

Hospital de São João apela à doação renal em vida

Mais de 1.800 doentes renais crónicos aguardam por transplante de rim em Portugal, uma realidade que a Unidade Local de Saúde São João (ULSSJ), no Porto, quer alterar apelando à doação em vida, disse hoje fonte do hospital.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights