Médio Oriente: Chefe da diplomacia jordana acusa Israel de “matar perspetivas de paz” na região

21 de Agosto 2025

O chefe da diplomacia jordana, Ayman Safadi, acusou hoje Israel de “matar as perspetivas de paz” na região do Médio Oriente, depois de o Governo israelita dar ‘luz verde’ à tomada da cidade de Gaza.

“Vemos o Governo israelita não só a matar palestinianos e a destruir as perspetivas de paz na região, mas também a alargar o conflito ao Líbano e à Síria”, afirmou Safadi, durante um encontro com o homólogo russo, Serguei Lavrov, em Moscovo.

O ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) jordano condenou uma “realidade completamente desumana criada na Faixa de Gaza pela agressão israelita”, indicando que pretende abordar com Lavrov “as iniciativas com o objetivo de pôr fim” aos “massacres e à fome”.

“A paz é um objetivo estratégico para todos nós. É o único caminho para a estabilidade na região”, sublinhou Ayman Safadi.

Apesar de a Jordânia não ser vizinha da Faixa de Gaza, é um dos países da região afetados pela guerra entre Israel e o movimento islamita palestiniano Hamas, desencadeada pelo ataque de proporções sem precedentes por este realizado a 07 de outubro de 2023 em território israelita, que fez cerca de 1.200 mortos, na maioria civis, e 251 reféns.

O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, ordenou hoje a mobilização de 60.000 reservistas, depois de ter dado ‘luz verde’ à tomada da cidade de Gaza, enquanto decorre o processo de mediação com vista a um cessar-fogo no território palestiniano e à libertação de reféns israelitas.

A guerra no enclave palestiniano fez, até agora, 62.122 mortos, na maioria civis, e 156.758 feridos, além de milhares de desaparecidos, presumivelmente soterrados nos escombros, e mais alguns milhares que morreram de doenças, infeções e fome, de acordo com números atualizados das autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.

Prosseguem também diariamente as mortes por fome, causadas pelo bloqueio de ajuda humanitária durante mais de dois meses, seguido da proibição israelita de entrada no território de agências humanitárias da ONU e organizações não-governamentais (ONG).

Alguns mantimentos estão desde então a entrar a conta-gotas e a ser distribuídos em pontos considerados “seguros” pelo Exército, que regularmente abre fogo sobre civis palestinianos famintos, tendo até agora matado 2.018 e ferido pelo menos 13.863.

Há muito que a ONU declarou o território em grave crise humanitária, com mais de 2,1 milhões de pessoas numa “situação de fome catastrófica” e “o mais elevado número de vítimas alguma vez registado” pela organização em estudos sobre segurança alimentar no mundo.

Já no final de 2024, uma comissão especial da ONU tinha acusado Israel de genocídio em Gaza e de estar a usar a fome como arma de guerra, situação também denunciada por países como a África do Sul junto do Tribunal Internacional de Justiça (TIJ), uma classificação igualmente utilizada por organizações internacionais e israelitas de defesa dos direitos humanos.

lusa/HN

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