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A Ordem dos Psicólogos Portugueses (OPP) anunciou a criação de uma bolsa de profissionais para apoiar as populações afetadas pelos incêndios rurais que têm assolado o país. A iniciativa, que arranca na próxima semana, surge em resposta aos múltiplos fogos que têm devastado principalmente as regiões Norte e Centro de Portugal desde julho.
A bastonária da OPP, Sofia Ramalho, destacou que este apoio psicológico será disponibilizado mediante solicitação das autarquias, reconhecendo que o impacto dos incêndios na saúde mental das populações persiste muito além da extinção das chamas.
O programa de acompanhamento, previsto para um período máximo de três meses, visa identificar e tratar sintomas associados ao trauma causado pelos incêndios. Entre as manifestações mais frequentes, destacam-se a irritabilidade, tristeza profunda, isolamento social e dificuldade na tomada de decisões.
A bastonária identificou padrões distintos de resposta ao trauma consoante as faixas etárias: as crianças tendem a apresentar comportamentos regressivos, os adolescentes isolam-se e os idosos manifestam níveis elevados de medo. As populações com experiências anteriores de incêndios demonstram maior vulnerabilidade ao trauma.
Portugal dispõe atualmente de uma estrutura de resposta que inclui o INEM como primeira linha de intervenção e uma bolsa de aproximadamente três mil psicólogos especializados em intervenção em catástrofe, ativável pela ANEPC através de protocolo com a OPP.
Os incêndios deste verão já provocaram três vítimas mortais, incluindo um bombeiro, além de feridos graves e extensos danos materiais em habitações e explorações agrícolas. A área ardida atingiu os 234 mil hectares, dos quais mais de 53 mil apenas no incêndio de Arganil.
Face à gravidade da situação, Portugal ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil, recebendo dois aviões Fire Boss, estando prevista a chegada de mais dois Canadair.
NR/HN/Lusa



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