Governo moçambicano apela à solidariedade nacional para apoiar deslocados de Cabo Delgado

23 de Agosto 2025

O Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres de Moçambique lançou um apelo à mobilização interna para apoiar as vítimas dos ataques rebeldes em Cabo Delgado. A recente vaga de violência provocou mais de 57 mil deslocados desde julho na província rica em gás natural

As autoridades moçambicanas apelaram à mobilização nacional para reforçar a ajuda humanitária às populações deslocadas pelos ataques rebeldes na província de Cabo Delgado, que persistem desde 2017. Luísa Meque, presidente do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD), enfatizou a necessidade de maior envolvimento dos moçambicanos no apoio aos seus compatriotas afetados pelo conflito.

A situação agravou-se significativamente desde a última semana de julho, com mais de 57 mil pessoas forçadas a abandonar as suas casas, principalmente no distrito de Chiúre, no sul da província. O conflito teve um impacto devastador em julho, resultando em 29 mortes e afetando mais de 208 mil pessoas, segundo dados da ONU.

O ministro da Defesa Nacional, Cristóvão Chume, manifestou preocupação com a escalada da violência, confirmando que as forças de segurança estão a perseguir os grupos insurgentes. Chume reconheceu que os terroristas conseguiram expandir a sua área de atuação para zonas mais remotas.

De acordo com um estudo do Centro de Estudos Estratégicos de África (ACSS), divulgado em fevereiro, 349 pessoas perderam a vida em ataques de grupos extremistas islâmicos no norte de Moçambique em 2024, representando um aumento de 36% em comparação com 2023.

A presidente do INGD elogiou o apoio contínuo do Programa Alimentar Mundial (PAM) na prestação de assistência humanitária, sublinhando simultaneamente a urgência de complementar estes esforços internacionais com uma resposta mais robusta a nível nacional.

A província de Cabo Delgado, conhecida pelas suas reservas de gás natural, tem sido palco de uma insurgência armada desde outubro de 2017, com ataques reivindicados por grupos associados ao Estado Islâmico.

NR/HN/Lusa

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