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A Associação Portuguesa de Hospitalização Privada (APHP) declarou este sábado estar “disponível para continuar a trabalhar” com as estruturas sindicais representativas da hospitalização privada, na sequência das acusações do Sindicato dos Trabalhadores na Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte (STIHTRSN) de que a associação patronal e a CUF impõem jornadas de 12 horas e retiram direitos laborais.
Em resposta escrita, fonte oficial da APHP afirmou que a associação quer promover “condições de trabalho dignas”, valorizar os recursos humanos e garantir a melhoria contínua dos cuidados prestados. A associação sublinhou que, em junho, assinou um novo Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) com o Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços (SITESE) e com o Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (SINDITE), ambos da UGT, abrangendo cerca de 9.500 trabalhadores de 90 empresas do setor e prevendo um aumento salarial médio de 75 euros. Segundo a APHP, o acordo resultou de um “diálogo construtivo” e procurou equilibrar os interesses dos trabalhadores com a sustentabilidade das unidades privadas.
Na sexta‑feira, a dirigente do STIHTRSN Vânia Cardoso acusou a CUF e a APHP de obrigarem a trabalhar 12 horas por dia e de promoverem um acordo com a UGT que implicaria cortes no subsídio de turno, alterações no pagamento de feriados, travões à progressão na carreira e ao complemento de seguro, bem como a criação de banco de horas e regimes de adaptabilidade até 12 horas diárias. A sindicalista disse ainda que, “em 48 horas, podem obrigá‑los a trabalhar sem o consentimento dos trabalhadores”, referindo que as queixas abrangem trabalhadoras de limpeza, auxiliares de ação médica e rececionistas, após ações de protesto em hospitais privados do Porto e de Vila Nova de Gaia.
O STIHTRSN, integrado na Federação dos Trabalhadores da Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo (FESAHT) e filiado na CGTP‑IN, sustenta que o CCT da hospitalização privada vigora desde 1975 e tem sido negociado e assinado pela FESAHT/CGTP‑IN, defendendo que “os sindicatos da UGT não têm representatividade no setor”.
Em contraponto, a APHP afirma que o novo instrumento de regulamentação coletiva reflete um compromisso de valorização dos profissionais e de estabilidade nas relações laborais. A CUF, por seu lado, indicou cumprir a lei relativamente aos horários de trabalho.
O STIHTRSN invoca ainda indicadores que, diz, demonstram a “excelente situação económica” do setor: 10,7 milhões de consultas (mais 10% face a 2023), 1,5 milhões de urgências, aumento de 5% nos partos, 15.092 nascimentos, subida de 15% nos exames e de 12% nos RX, e crescimento de 11,6% nas receitas em 2024, para um total de 2,5 mil milhões de euros.
NR/HN/Lusa



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