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A Organização Mundial da Saúde (OMS) lançou hoje um alerta preocupante sobre o futuro da saúde em África, durante a 74.ª sessão do Comité Regional para África, que decorre em Lusaca, Zâmbia. O diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus destacou a necessidade urgente de os sistemas de saúde africanos se tornarem mais autossuficientes, num momento em que se verificam cortes significativos no financiamento internacional.
De acordo com as análises da OMS, a ajuda sanitária deverá registar uma queda abrupta de 40% em 2025, comparativamente a 2023. Esta redução já está a ter consequências graves no terreno, com medicamentos a acumularem-se em armazéns, profissionais de saúde a perderem empregos e unidades de saúde a encerrarem as suas portas.
O continente africano enfrenta atualmente múltiplos desafios sanitários. Para além das elevadas taxas de mortalidade infantil e materna, verifica-se uma estagnação no combate ao VIH, à malária e à tuberculose. O continente debate-se ainda com duas epidemias significativas: a mpox, que já causou 1.947 mortes em 28 países desde o início de 2024, e a cólera, que infetou cerca de 226.500 pessoas e provocou aproximadamente 4.800 óbitos em 23 estados membros.
Para fazer face a esta situação, Tedros propôs várias medidas de autonomia financeira, incluindo a implementação de impostos sobre produtos como tabaco, álcool e bebidas açucaradas, bem como o desenvolvimento da produção local de produtos farmacêuticos e a compra conjunta de produtos sanitários a nível continental.
John Kaseya, diretor-geral da agência de saúde pública da União Africana, reforçou a importância do compromisso dos governos africanos, especialmente no que diz respeito às contribuições financeiras necessárias para tornar a Agência Africana de Medicamentos (AMA) operacional.
Esta reunião do Comité Regional da OMS para a África, que conta com a participação de responsáveis de saúde de 47 países africanos, decorrerá até quarta-feira, num momento particularmente crítico para a saúde pública no continente.
NR/HN/Lusa



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