África quer produzir 60% das suas vacinas até 2040

27 de Agosto 2025

Ministros africanos da Saúde e parceiros internacionais reforçaram hoje em Lusaca o compromisso de aumentar a produção local de vacinas no continente. O objetivo é atingir 60% de autossuficiência até 2040, reduzindo a atual dependência do mercado externo

Os ministros africanos da Saúde assumiram em Lusaca um compromisso histórico para revolucionar a produção de vacinas no continente. Durante a septuagésima quinta sessão do Comité Regional da Organização Mundial da Saúde (OMS) para a África, os responsáveis comprometeram-se a implementar medidas concretas para alcançar 60% de autossuficiência na produção de vacinas até 2040.

Mohamed Janabi, diretor regional da OMS para África, destacou como a pandemia de COVID-19 expôs as fragilidades do continente, particularmente no acesso a vacinas e na gestão das cadeias de abastecimento. No entanto, salientou que esta crise serviu como catalisador para uma mudança significativa na estratégia de saúde do continente.

O cenário atual é desafiador: África produz menos de 1% das vacinas que utiliza, uma realidade que os líderes pretendem transformar através do Quadro para o reforço da produção local de medicamentos, vacinas e outras tecnologias da saúde na Região Africana da OMS (2025-2035).

A iniciativa conta com o apoio de parceiros estratégicos como a Unitaid, o Instituto Internacional de Vacinas (IVI) e a GAVI. Jerome H. Kim, diretor geral do IVI, apresentou a iniciativa ACHIEVE 2.0, um programa ambicioso focado na investigação, desenvolvimento e produção de vacinas em território africano.

A GAVI anunciou a sua nova estratégia “GAVI Leap”, que visa reformular o seu modelo operacional para fortalecer a capacidade local dos países africanos. Esta abordagem pretende criar soluções mais sustentáveis e adaptadas às realidades locais.

A reunião decorreu num momento particularmente sensível, marcado pela redução significativa da ajuda internacional por parte dos Estados Unidos e diversos países europeus, uma situação que tem impacto direto na saúde pública do continente africano.

O compromisso assumido pelos ministros africanos da Saúde inclui o aumento do investimento nacional e a expansão da capacidade de realização de ensaios clínicos, medidas consideradas fundamentais para alcançar os objetivos estabelecidos para 2040.

NR/HN/Lusa

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