Clínicas de Gaza em silêncio: “Crianças sem força para chorar”, alerta Save the Children na ONU

28 de Agosto 2025

Diretora executiva da Save the Children denuncia no Conselho de Segurança da ONU a situação crítica das crianças em Gaza, vítimas de fome sistemática. Hospitais recebem crianças emaciadas enquanto ajuda humanitária permanece bloqueada a poucos quilómetros.

A diretora executiva da Save the Children, Inger Ashing, apresentou um relato devastador sobre a situação das crianças palestinianas perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas. O silêncio nas clínicas de Gaza tornou-se ensurdecedor, não pela ausência de pacientes, mas porque as crianças já não têm forças sequer para chorar.

Na sua intervenção, Ashing denunciou o uso deliberado da fome como arma de guerra, descrevendo um cenário onde crianças emaciadas definham em hospitais enquanto camiões carregados de ajuda humanitária permanecem bloqueados a curta distância.

A representante da ONG citou o testemunho comovente de uma criança de Gaza que expressou o desejo de “estar no céu, onde está a mãe, onde há amor, comida e água”, ilustrando a dimensão do desespero vivido no território.

Ashing criticou duramente as soluções apresentadas até ao momento, incluindo os lançamentos aéreos de ajuda e o sistema de distribuição da Fundação Humanitária de Gaza, apoiada por Israel e Estados Unidos, que resultou em mortes durante distribuições caóticas de alimentos.

A situação estende-se também à Cisjordânia, onde crianças palestinianas enfrentam demolições de casas, deslocamentos forçados e um sistema judicial militar que viola padrões internacionais de justiça juvenil. Segundo Ashing, estas são as únicas crianças no mundo sistematicamente processadas em tribunais militares, onde relatam abusos físicos, emocionais e sexuais.

No seu apelo final ao Conselho de Segurança, a diretora executiva sublinhou que o governo israelita poderia terminar esta crise humanitária imediatamente, bastando para isso cessar a obstrução deliberada e permitir o trabalho das organizações humanitárias. Alertou ainda que a inação da comunidade internacional representa uma forma de cumplicidade com a situação atual.

NR/HN/Lusa

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