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A Organização Mundial da Saúde apresentou dados alarmantes sobre a propagação da cólera em 2025, revelando um cenário particularmente grave no Sudão, onde a doença já vitimou mais de 2.400 pessoas no último ano, atingindo 17 dos 18 estados do país.
O relatório indica que, entre 1 de janeiro e 17 de agosto, foram registados 409.222 casos e 4.738 mortes a nível mundial. O número de casos diminuiu 20% em comparação com o período homólogo, mas as mortes aumentaram significativamente em 46%.
A situação é especialmente preocupante em seis países que apresentam uma taxa de mortalidade superior a 1%. A República Popular do Congo e o Chade destacam-se com as taxas mais elevadas, atingindo 7,7% e 6,8%, respetivamente, em países que há anos não registavam números significativos da doença.
Em Angola, os números mostram uma tendência positiva, com apenas sete casos registados e nenhuma morte nas últimas 24 horas. No entanto, o balanço total indica 27.952 casos e 780 óbitos, tendo Luanda sido o epicentro com 7.015 casos e 222 mortes.
Moçambique enfrenta igualmente um surto significativo, com 4.420 casos e 64 óbitos registados desde 17 de outubro em cinco províncias do centro e norte do país. A província de Nampula é a mais afetada, com 3.590 casos e 40 mortes.
A OMS atribui o agravamento da situação mundial aos conflitos, deslocações em massa, catástrofes naturais e alterações climáticas, que têm intensificado os surtos, particularmente em zonas rurais e áreas afetadas por inundações. As infraestruturas precárias e o acesso limitado aos cuidados de saúde são apontados como fatores que atrasam o tratamento eficaz da doença.
A organização alerta ainda para o risco muito elevado de propagação adicional da doença, tanto dentro dos países afetados como entre diferentes nações, devido à amplitude e natureza interligada destas epidemias.
A situação no Sudão é particularmente crítica, agravada pela guerra civil que assola o país desde 15 de abril de 2023, tornando-o o território mais afetado pela cólera a nível mundial.
NR/HN/Lusa



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