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A Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou dados alarmantes sobre a evolução dos surtos de cólera em 2024, com 31 países afetados e mais de 400 mil casos registados até agosto. O relatório apresentado pela organização indica uma deterioração significativa da situação global, agravada por conflitos e pobreza extrema.
No período compreendido entre 1 de janeiro e 17 de agosto de 2024, foram documentados 409.222 casos e 4.738 óbitos a nível mundial. Embora se tenha verificado uma redução de 20% no número total de casos comparativamente ao período homólogo de 2023, o número de mortes aumentou 46%.
O Sudão emerge como o país mais afetado, registando mais de 2.400 mortes no último ano, com 17 dos seus 18 estados a reportarem casos, conforme dados do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Particularmente preocupante é a situação no Congo-Brazzaville e no Chade, países que apresentam as taxas de mortalidade mais elevadas a nível mundial, com 7,7% e 6,8%, respetivamente.
A OMS manifestou especial preocupação com o ressurgimento da doença em países que há anos não reportavam números significativos de casos. Seis nações apresentam atualmente uma taxa de mortalidade superior a 1%, evidenciando graves deficiências na gestão de casos e atrasos no acesso aos cuidados médicos.
Os fatores agravantes incluem conflitos armados, movimentos migratórios, catástrofes naturais e alterações climáticas, que têm intensificado os surtos, especialmente em zonas rurais e áreas afetadas por cheias. Nestas regiões, as infraestruturas precárias e o acesso limitado aos cuidados de saúde comprometem a rapidez e eficácia do tratamento.
A organização alertou para o risco muito elevado de maior propagação da doença, tanto dentro dos países afetados como entre diferentes nações, devido à natureza interligada dos surtos e à sua gravidade. A cólera, uma infeção do intestino delgado causada pela ingestão de alimentos ou água contaminados por uma bactéria, pode ser fatal em poucas horas se não for tratada adequadamente, embora seja facilmente tratável através de reidratação ou, em casos mais graves, com antibióticos.
NR/HN/Lusa



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