Nova investigação revela ‘código oculto’ das doenças renais

30 de Agosto 2025

Uma equipa internacional de investigadores, liderada pela Universidade de Sichuan, revelou como as alterações na glicosilação das proteínas influenciam o desenvolvimento de doenças renais. O estudo, publicado na Precision Clinical Medicine, abre caminho para novos métodos de diagnóstico e tratamento

Uma investigação revolucionária publicada na revista Precision Clinical Medicine (DOI: 10.1093/pcmedi/pbaf017) revelou o papel crucial da glicosilação no desenvolvimento de doenças renais, que afetam cerca de 700 milhões de pessoas em todo o mundo.

A Glicosilação Aberrante Impulsiona a Patogénese da Doença Renal. Este esquema ilustra como a glicosilação anormal contribui para diversas doenças renais: (A) IgA1 deficiente em galactose na nefrite de Henoch-Schönlein, (B) defeitos de glicosilação de IgG4 na nefropatia membranosa primária, (C) alterações na N-glicosilação na doença anti-MBG, (D) glicosilação alterada de IgG na nefrite lúpica, e (E) defeitos de glicosilação da policistina na doença renal poliquística autossómica dominante. Estas alterações moleculares perturbam a regulação imunitária, a estabilidade proteica e as vias de sinalização, conduzindo a inflamação renal, fibrose e lesão estrutural.

A equipa de investigadores, coordenada pelo Professor Yong Zhang da Universidade de Sichuan, analisou como as modificações nas proteínas através da glicosilação influenciam várias patologias renais, desde a nefropatia por IgA até ao carcinoma das células renais.

A glicosilação, uma modificação que afeta mais de metade das proteínas humanas, funciona como uma linguagem molecular complexa nos rins. As alterações neste processo podem desencadear diversos problemas, incluindo inflamação renal, fibrose e formação de quistos.

O Professor Yong Zhang explicou que a glicosilação atua como uma linguagem oculta dos rins, sendo fundamental descodificar este “código glicano” para compreender melhor o início e a progressão das doenças a nível molecular.

A investigação identificou padrões específicos de glicosilação em várias doenças renais. Na nefropatia por IgA, a glicosilação defeituosa da imunoglobulina A1 provoca inflamação renal. Na nefropatia diabética, a hiperglicemia causa glicosilação excessiva, levando à fibrose e proteinúria. Na doença renal poliquística autossómica dominante, a glicosilação anormal das policistinas acelera a formação de quistos.

O estudo destaca também avanços significativos nas técnicas analíticas, como a espectrometria de massa e os microarrays de lectina, que permitem mapear com precisão os glicanos e identificar biomarcadores específicos de doenças.

Os investigadores identificaram assinaturas glicanas no soro que podem servir como biomarcadores para monitorizar a atividade da doença, particularmente na nefropatia por IgA e na nefrite lúpica. A modulação das enzimas e vias de glicosilação surge como uma potencial estratégia terapêutica para retardar a progressão de várias doenças renais.

Esta descoberta representa um avanço significativo para o desenvolvimento de diagnósticos de precisão e terapias direcionadas à glicosilação, que poderão transformar a medicina renal, passando do tratamento sintomático para intervenções molecularmente orientadas.

NR/HN/ALphaGalileo

 

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