![]()
Uma equipa da Universidade de Yale apresentou uma plataforma modular de vacinas (MVP) concebida para resolver uma limitação central das vacinas de mRNA: a fraca translocação de certos antígenos para a superfície celular, onde são mais facilmente detectados pelo sistema imunitário. O trabalho, liderado por Sidi Chen, professor associado de Genética e Neurocirurgia na Yale School of Medicine, demonstra que a integração de módulos de direccionamento e ancoragem de membrana — um “GPS celular” feito de peptídeos sinal e domínios transmembrana — aumenta a expressão de epítopos na superfície, potencia a produção de anticorpos e robustece respostas de células T. O estudo foi publicado na Nature Biomedical Engineering: https://www.nature.com/articles/s41551-025-01478-6.
A MVP permite montar antígenos quiméricos de forma combinatória, criando mais de 2.500 configurações ao combinar diferentes módulos com qualquer antigénio de interesse. Os autores quantificaram a eficácia de translocação para a superfície celular (CST) com múltiplos antígenos, incluindo proteínas do vírus mpox (A29, M1R e A35R), e compararam a expressão superficial quimérica em várias linhas celulares. Em modelos murinos, módulos optimizados elevaram a CST de antígenos de mpox, melhoraram a resposta imune de mRNAs encapsulados em nanopartículas lipídicas (LNP) e conferiram proteção contra desafios letais com vaccinia.
A equipa testou também a generalização da plataforma com antígenos desafiantes além do mpox: as oncoproteínas E6 e E7 do HPV16 e a glicoproteína gE do vírus varicela‑zóster. Em cada caso, a adição de módulos MVP intensificou tanto a componente humoral (títulos de anticorpos mais elevados) como a celular (activação de T células), de acordo com os resultados experimentais descritos no artigo.
O consórcio reuniu 11 autores com afiliação a Yale. Zhenhao Fang (bolseiro de pós‑doutoramento) e Valter S. Monteiro (doutorando) foram co‑primeiros autores. Para além de Chen, Carolina Lucas (assistente na área de Imunobiologia) e Daniel DiMaio (Waldemar Von Zedtwitz Professor de Genética, e professor de Biofísica/Microbiologia Molecular e de Radiologia Terapêutica) integraram a supervisão científica do trabalho. O estudo detalha, figura a figura, como diferentes combinações de peptídeos sinal e domínios transmembrana modulam a força de translocação dependendo da sequência do antigénio, do tempo pós‑transfeção e do tipo celular, e como essa engenharia de apresentação superficial se traduz em imunogenicidade superior de mRNAs em LNP.
Os autores disponibilizam dados primários e código de análise de sequências proteicas, incluindo o repositório GitHub associado (https://github.com/fangzhe3/MVP_code), permitindo reproduzir a avaliação dos módulos. O artigo documenta ganhos consistentes em expressão superficial para antígenos tipo I e tipo II e descreve correlações entre métricas de CST e títulos de anticorpos, bem como respostas Th1 avaliadas por citocinas como IFN‑γ. No modelo de mpox, os mRNAs LNP com MVP superaram antígenos nativos na proteção contra desafio letal com vaccinia; em gE de varicela‑zóster e em E6/E7 de HPV16, observaram‑se aumentos de anticorpos e de activação de T células em ensaios de estimulação e co‑cultura, incluindo citotoxicidade acrescida sobre células‑alvo transduzidas com E6/E7.
A ambição declarada pelos investigadores é que a MVP funcione como camada universal de “endereçamento de superfície” para antígenos difíceis, ampliando a aplicabilidade das vacinas mRNA a patogénios diversos e a indicações como cancro e doenças autoimunes. A publicação, datada de 25 de Agosto de 2025, inclui informação sobre disponibilização de dados e versões suplementares, além das extensões de métodos e tabelas, acessíveis através do mesmo endereço da Nature Biomedical Engineering: https://www.nature.com/articles/s41551-025-01478-6.
NR/HN/ALphaGalileo



0 Comments