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O Instituto de Investigação e Inovação em Saúde da Universidade do Porto (i3S) vai liderar um projeto de cinco anos para criar ferramentas inovadoras capazes de reverter a fibrose da pele. A investigação, denominada FibroRevert, é conduzida pelo cientista Rúben Pereira e foi distinguida com uma Starting Grant do Conselho Europeu de Investigação (ERC) no valor de 1,5 milhões de euros.
O grande objetivo do trabalho passa por desenhar e desenvolver novas ferramentas – biomateriais e plataformas de bioengenharia – para reverter a fibrose cutânea. Esta condição, cujas cicatrizes resultam frequentemente de queimaduras ou intervenções cirúrgicas, pode ser altamente incapacitante, dolorosa e desfigurante para os doentes.
Rúben Pereira, que é também investigador e docente do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), explicou que o grande desafio do FibroRevert é “identificar se é possível reverter a fibrose patológica sem causar alterações colaterais noutros tecidos”.
Para ultrapassar este obstáculo, a equipa vai adotar uma abordagem inovadora que combina biomateriais com propriedades programáveis, células e bioimpressão 3D para recriar em laboratório modelos fiáveis de fibrose. “Estas plataformas de bioengenharia vão não só mimetizar o tecido humano, mas também manipular as suas propriedades em tempo real”, adiantou o investigador. Esta tecnologia permitirá “estudar os mecanismos através dos quais as células e a matriz extracelular comunicam entre si para promover ou reverter a fibrose”.
Um dos pilares do projeto será a análise de amostras de tecidos humanos para identificar com precisão as alterações celulares e moleculares responsáveis pelo desenvolvimento da patologia. Com base nessas descobertas, o objetivo é “desenvolver uma biblioteca única de biomateriais capazes de reproduzir, com elevada precisão, as propriedades da matriz extracelular e, consequentemente, regular o comportamento celular em contextos saudáveis e patológicos”.
O financiamento do FibroRevert enquadra-se nas ERC Starting Grants de 2025, que distinguiram 478 investigadores em toda a Europa com um montante total de 761 milhões de euros. Em Portugal, além de Rúben Pereira, foram distinguidos Joaquim Alves da Silva (Fundação Champalimaud), Vanessa Coelho Santos (Universidade de Coimbra), Paula Nabais (Universidade Nova de Lisboa), Joana Pestana Lages (CVTT-ISCTE) e João Ribeiro (Instituto de Telecomunicações).
Com esta bolsa, sobe para 24 o número de investigadores da Universidade do Porto distinguidos pelo ERC desde 2007, consolidando a posição da instituição na vanguarda da investigação europeia de excelência.
PR/HN



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