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A substância psicadélica LSD (dietilamida do ácido lisérgico) mostrou reduzir de forma clínica e significativa os sintomas de ansiedade, de acordo com os resultados de um ensaio de fase IIb publicado esta sexta-feira pela empresa de biotecnologia norte-americana MindMed.
O estudo, que envolveu cerca de 200 pacientes, avaliou o impacto de quatro doses diferentes de LSD em comparação com um placebo. Os participantes foram acompanhados durante 12 semanas. Os resultados revelaram que, após quatro semanas, os doentes que receberam as duas doses mais elevadas do composto registaram uma redução dos sintomas de ansiedade significativamente maior do que o grupo de controlo com placebo ou os que receberam doses mais baixas.
O benefício manteve-se a longo prazo. Na marca das 12 semanas, 65% dos indivíduos que receberam a dose de 100 mg, identificada como a mais eficaz, continuavam a exibir uma melhoria clínica significativa. Quase metade desses pacientes (cerca de 50%) atingiu mesmo uma remissão temporária da perturbação de ansiedade.
Os efeitos secundários mais comummente reportados durante o ensaio foram ilusões ou alucinações, náuseas e dores de cabeça, sintomas expectáveis para a classe de substâncias.
Maurizio Fava, principal autor do estudo e consultor da MindMed, comentou os resultados, afirmando: “É possível que algumas pessoas necessitem de retratamento. Ainda não sabemos quantos retratamentos serão necessários, mas o efeito duradouro é bastante significativo.”
O estudo também observou um efeito placebo considerável, um fenómeno habitual em investigações psiquiátricas. Contudo, as melhorias no grupo que recebeu placebo foram menos de metade das observadas nos doentes medicados com as doses terapêuticas de LSD.
O principal objetivo da investigação era precisamente identificar a dose ideal de LSD para o tratamento da ansiedade, um dos problemas de saúde mental mais comuns que afeta cerca de 3% da população adulta nos Estados Unidos, de acordo com os Institutos Nacionais de Saúde (NIH).
Com base nestes resultados promissores, a MindMed está agora a avançar com dois grandes ensaios clínicos de fase III, que acompanharão os participantes durante um período mais alargado. Se estes ensaios confirmarem a eficácia e segurança do tratamento, a empresa submeterá um pedido de aprovação formal à Food and Drug Administration (FDA), a agência federal norte-americana que regula os medicamentos.
O potencial terapêutico dos psicadélicos tem despertado interesse ao mais alto nível. O Secretário da Saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., e outros membros da administração já manifestaram apoio à investigação nesta área, sugerindo que terapias como a do LSD poderiam receber uma revisão acelerada, particularmente para grupos como veteranos de guerra com trauma psicológico.
O comunicado da MindMed com os detalhes do estudo pode ser consultado no site da empresa.
NR/HN/Lusa



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