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A CIP – Confederação Empresarial de Portugal apelou esta segunda-feira, dia 8 de setembro, à criação de uma política industrial dedicada ao setor da saúde, argumentando que este é um pilar estratégico para o desenvolvimento económico nacional e que carece de um enquadramento statégico específico. A posição foi tornada pública através de um comunicado.
O presidente do Conselho da Saúde, Prevenção e Bem-Estar da CIP, João Pedro Almeida Lopes, foi perentório ao afirmar que “os empresários e os investigadores portugueses estão alinhados nesta estratégia nacional”. Sublinhou a necessidade de um esforço coordenado que envolva os ministérios da Reforma do Estado, da Saúde, da Economia e da Coesão Territorial e da Educação, Ciência e Inovação. O objetivo central desta política passaria pela “redução de custos de contexto” e pela “criação de condições para atrair investimento e aumentar a capacidade industrial do país na área da saúde”.
O apelo da confederação empresarial é sustentado pelo desempenho excecional do setor nos mercados internacionais. De acordo com dados da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), as exportações da fileira da saúde registaram um crescimento extraordinário de 85% no primeiro semestre de 2025, dando seguimento à tendência de crescimento já verificada em 2024.
Previamente, em fevereiro, a AICEP, com base em informações do Instituto Nacional de Estatística (INE), tinha revelado que as exportações em saúde subiram 21,6% em 2024, ultrapassando pela primeira vez a barreira dos quatro mil milhões de euros e fixando-se nos 4.036 milhões de euros. Este valor representou 5,1% de todas as exportações nacionais.
João Pedro Almeida Lopes enfatizou que o potencial de Portugal é inquestionável, referindo que “todos os países mais desenvolvidos do mundo têm fortes setores da saúde em termos de I&D [investigação e desenvolvimento] e indústria, e Portugal tem todas as condições para também seguir este padrão”. Na sua perspetiva, as competências existentes no país, aliadas aos investimentos já realizados e aos potenciais, permitiriam não só diversificar mercados como também estimular as exportações. Essa ambiação abrangeria bens, como medicamentos ou dispositivos médicos, “mas também de serviços, nomeadamente através da realização de ensaios clínicos”.
Em 2024, a análise aos mercados de destino confirmou a relevância global do setor, com os Estados Unidos a afirmarem-se como o principal cliente, absorvendo 29,6% das exportações portuguesas de produtos de saúde. A Alemanha surgiu em segundo lugar, com uma quota de 27,5%, seguida de Espanha, França e Bélgica.
NR/HN/Lusa



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