Faculdade de Medicina de Lisboa e Operação Nariz Vermelho criam “cadeira” para estudantes

15 de Setembro 2025

A Faculdade de Medicina de Lisboa e a Operação Nariz Vermelho criaram este ano uma cadeira opcional sobre “a arte do doutor palhaço”, tendo já esgotado as 20 vagas disponíveis, anunciaram hoje as entidades.

“A Arte do Doutor Palhaço no Contexto da Formação dos Estudantes de Medicina” é a nova unidade curricular que começou este ano a ser lecionada como parte do Mestrado Integrado em Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa (FMUL), em parceria com a Operação Nariz Vermelho (ONV).

As entidades explicam em comunicado que o objetivo é que esta cadeira passe a integrar todos os anos a oferta de unidades opcionais dos estudantes de Medicina da FMUL.

“As 20 vagas abertas para esta primeira edição da cadeira, lecionada pelo Dr. Tiago Proença dos Santos, em parceria com o diretor artístico da ONV, Fernando Escrich, foram todas preenchidas”, salientam.

Segundo a FMUL e a ONV, esta unidade curricular pretende contribuir para o desenvolvimento de uma perspetiva subjetiva sobre as interações dos médicos em contexto hospitalar, integrando a prática da medicina com uma abordagem centrada na singularidade e na subjetividade da pessoa e das suas circunstâncias, além da doença.

“Trata-se de disponibilizar um conjunto de estratégias e ferramentas do Doutor Palhaço da Operação Nariz Vermelho que possam ser úteis ao profissional de medicina nas diferentes etapas e desafios da sua prática”, realçam.

A presidente da ONV, Luiza Teixeira de Freitas, sublinha que “o crescimento da Operação Nariz Vermelho sempre assentou numa parceria rigorosa com os profissionais de saúde e numa sólida fundamentação e validação científica” do trabalho que realiza.

“Foi a ligação destes dois fatores que nos permitiu criar uma cadeira que tem como objetivo apresentar a linguagem e metodologias dos Doutores Palhaços aos estudantes de Medicina, os futuros parceiros com quem trabalharemos nos hospitais, em prol da humanização dos cuidados de saúde”, destacou Luiza Teixeira de Freitas.

Apurar o olhar para perceber a condição e as necessidades do outro, para além da situação clínica, reforçar a escuta para estabelecer confiança e partilhar as estratégias e ferramentas do Doutor Palhaço, abrindo a possibilidade da sua integração na prática clínica, são os principais objetivos desta unidade curricular.

Tiago Proença dos Santos, neurologista pediátrico e regente da cadeira, realça a importância de cultivar, na formação médica, uma escuta mais humana e uma presença mais consciente.

“Por essa razão desenvolvemos, em conjunto com a ONV esta unidade curricular, onde os estudantes são convidados a atravessar a ponte entre ciência e arte, inspirando-se na prática dos Doutores Palhaços para desenvolver empatia, improviso e atenção plena”.

“Cada gesto, olhar e silêncio torna-se ferramenta de cuidado, e do encontro entre o médico e o palhaço nasce uma nova forma de escutar — a si, ao outro e ao momento presente. É nesse espaço de autenticidade que até as más notícias podem ser partilhadas com delicadeza, abrindo caminho para relações mais verdadeiras e esperançosas”, sublinhou Tiago Proença dos Santos.

As entidades referem que os exercícios desta unidade curricular visam “a aproximação e apropriação, por parte dos alunos, dos valores, linguagem e técnicas da arte do Doutor Palhaço, considerando a experiência prévia, extensa e consistente dos formadores, no contexto do hospital”.

Alguns dos princípios elementares trabalhados serão a atenção, cumplicidade, apoio, improviso e consciência corporal e espacial.

“Da convergência entre os ofícios do Médico e do Doutor Palhaço, pressupõe-se que possa ser desenvolvida uma maior autoconsciência, ponto de partida para uma interação mais humanizada com os seus pares, pacientes e respetivos cuidadores”, acrescentam.

lusa/HN

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