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As autoridades de Gaza reportam que aproximadamente um milhão de palestinianos se encontram atualmente concentrados na área costeira de Al-Mawasi e na cidade de Khan Yunis, no sul do território, após uma série de ordens de evacuação emitidas pelo exército israelita. A informação foi avançada num comunicado das autoridades locais, citado pela agência EFE, que alerta para uma catástrofe humanitária de proporções avassaladoras.
O Governo do Hamas afirmou que, em contrapartida, cerca de 900 mil pessoas permanecem ainda na Cidade de Gaza, no norte, onde as forças israelitas prosseguem com uma operação militar terrestre de larga escala destinada a tomar o controlo da principal urbe. A ofensiva militar israelita, iniciada em outubro de 2023 em resposta a um ataque do Hamas, tem forçado a deslocação massiva de populações de norte para sul, criando um amontoado humano em condições extremamente precárias.
Apesar de Israel ter designado a faixa costeira entre Al-Mawasi e Khan Yunis como uma “zona humanitária”, o Governo de Gaza denunciou que esta área foi alvo de bombardeamentos em mais de 110 ocasiões, resultando em cerca de duas mil mortes. A alegação foi corroborada por um incidente reportado na sexta-feira pelo chefe de pediatria do Hospital Nasser, Ahmed Al Farra, que confirmou à EFE a morte de duas crianças, de 10 e 6 anos, num ataque israelita contra uma tenda em Al-Mawasi.
As condições de vida para os deslocados são descritas como desumanas. Num comunicado, o Governo do Hamas afirmou que as zonas de concentração “carecem por completo de artigos de primeira necessidade”, sublinhando que “não há hospitais, infraestruturas nem serviços essenciais como água, alimentos, refúgio, eletricidade ou educação, o que torna quase impossível viver ali”. Esta descrição pinta um quadro de sofrimento generalizado, onde os serviços básicos são inexistentes.
A dimensão do problema de superlotação é evidente. Em junho, as Nações Unidas estimavam que Al-Mawasi já albergava mais de 425 mil deslocados. A área, com cerca de 14 quilómetros de comprimento por um de largura, atingia na altura uma densidade populacional de aproximadamente 47.700 pessoas por quilómetro quadrado. Este valor contrasta brutalmente com a densidade populacional pré-guerra de Gaza, que era já uma das mais altas do mundo, com 5.500 pessoas por quilómetro quadrado, de acordo com um relatório da ONU.
Entretanto, a violência continua a fazer vítimas. De acordo com a Associated Press (AP), as autoridades de saúde locais reportaram a morte de 14 pessoas durante a noite em bombardeamentos israelitas contra a Cidade de Gaza. Rami Mhanna, diretor-executivo do Hospital Shifa, confirmou que entre os mortos se encontravam seis membros de uma mesma família, vítimas de um ataque à sua residência durante a madrugada. As vítimas eram familiares do ex-diretor do hospital, Mohamed Abu Selmiya, libertado por Israel em julho de 2024 após sete meses de detenção sob acusações de que o Hospital Shifa servia como centro de comando do Hamas.
O conflito, que uma comissão independente da ONU, relatores de direitos humanos e um número crescente de países classificam como genocídio, já provocou a morte a mais de 65.200 palestinianos. O ataque inicial do Hamas em Israel, a 7 de outubro de 2023, resultou em cerca de 1.200 mortos e 251 pessoas levadas como reféns. As forças armadas israelitas não responderam imediatamente às perguntas da AP sobre os recentes ataques.
NR/HN/Lusa



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