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A Câmara Municipal de Sintra aprovou esta terça-feira, 23 de setembro de 2025, uma recomendação para que o Governo atribua o nome do seu presidente, Basílio Horta (PS), ao hospital de proximidade construído pela autarquia. A decisão foi tomada por maioria, com os votos a favor dos seis vereadores proponentes – quatro do PS, um do CDS-PP e um independente – e os votos contra de três vereadores do PSD e um da CDU (PCP/PEV).
A proposta agora aprovada visa “recomendar ao Governo da República Portuguesa que o Hospital de Proximidade de Sintra se passe a nomear: ‘Hospital Dr. Basílio Horta’”. O documento sublinha o percurso político de Basílio Horta, antigo deputado constituinte, ministro e embaixador, e destaca a sua “determinação em servir a população de Sintra”, nomeadamente ao envolver o município na construção da nova unidade de saúde. Os subscritores justificam a intenção de homenagear “em vida” o trabalho realizado, “projetando a sua determinação e perseverante sentido de missão”.
Durante a discussão, o vice-presidente da câmara, Bruno Parreira (PS), recordou que o executivo tinha já recomendado em 2017 o nome do médico Carlos França, mas como essa proposta “não tendo sido acatada” se entendeu “fazer uma nova recomendação”.
O vereador do PSD, Luís Patrício, manifestou oposição, argumentando que a proposta de 2017, que considerava Carlos França “uma das figuras que mais se internacionalizou” na medicina, não deveria ser ignorada. Referiu que, por tradição, os hospitais públicos “têm nomes de santos ou de médicos” e, apesar do reconhecimento do trabalho de Basílio Horta, mostrou disponibilidade para participar noutro tipo de homenagem.
Pedro Ventura, da CDU, considerou o tema “muito sensível”, especialmente num “período eleitoral autárquico”, alertando para o risco de o nome de Basílio Horta “passar para a discussão política e para a praça pública”. Defendeu que decisões com “grande peso político” deveriam merecer “largo consenso” e, por isso, a CDU não aprovou a recomendação.
Do lado dos proponentes, o vereador independente Nuno Afonso (ex-Chega) considerou a proposta “justa”, afirmando que o hospital “foi muito graças à vontade do presidente Basílio Horta que acabou construído”. Maurício Rodrigues (CDS-PP) acrescentou que, apesar de discordar do presidente em “muitas coisas”, este demonstrou “coragem e engenho” para concretizar um projeto “há muito prometido por muitos”.
O edifício do hospital foi entregue à Unidade Local de Saúde (ULS) Amadora-Sintra em junho de 2024, representando um investimento municipal de 63,8 milhões de euros na construção, além de mais de 17 milhões em equipamentos. A Urgência Básica de Algueirão-Mem Martins transferiu-se para as novas instalações em julho passado. Basílio Horta não se pode recandidatar às próximas eleições autárquicas devido à lei de limitação de mandatos.
NR/HN/Lusa



Basta uma visita rápida ao Facebook do Sr. Basílio Horta para perceber o sentimento generalizado de milhares de munícipes relativamente à sua atuação em Sintra. O que transparece não é proximidade nem liderança, mas antes uma imagem associada ao lixo acumulado, à desorganização urbana e institucional, e a uma prática recorrente de respostas ofensivas dirigidas tanto a colaboradores da autarquia como a munícipes. É, pois, profundamente contraditório que o seu nome continue a ser projetado como símbolo de gestão e progresso, quando, na realidade, se tornou sinónimo de desordem, má educação política e falta de respeito pela população.