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Nampula, 24 de setembro de 2025 (Lusa) – O distrito de Moma, na província nortenha de Nampula, voltou a ser declarado em situação de surto de cólera. A decisão surge na sequência de 36 casos identificados entre os dias 3 e 21 de setembro, um recrudescimento que apanhou as autoridades de saúde de surpresa, já que a emergência tinha sido dada como terminada anteriormente naquela região.
Jaime Miguel, chefe do departamento de saúde pública da direção provincial de saúde, confirmou os números. Dos 36 infetados, 34 receberam alta médica e os dois restantes continuam internados para tratamento, não se registando qualquer óbito associado a esta nova vaga. O responsável explicou que o alerta foi dado após a notificação de casos na localidade de Metil. “Orientamos os colegas a fazerem o rastreio. Dos quatro testes, três confirmaram e pedimos que pudesse reativar o surto e estão neste momento todos a fazer o tratamento”, afirmou Jaime Miguel, sublinhando a resposta rápida das equipas no terreno.
Este reaparecimento em Moma contrasta com o ambicioso plano do Governo moçambicano, aprovado a 16 de setembro, que visa eliminar a cólera como um problema de saúde pública no país até 2030. Um esforço orçado em 409 milhões de euros que, para já, não travou o ressurgimento da doença neste canto de Nampula.
A província continua a ser uma das mais afetadas pelo atual ciclo da doença. De acordo com o mais recente boletim da Direção Nacional de Saúde Pública, que contabiliza dados desde a declaração do surto em Mogovolas, também em Nampula, a 17 de outubro de 2024, até 13 de setembro último, a região somava 3.603 infetados e 40 óbitos. A nível nacional, a situação é agora considerada ativa apenas em dois distritos: Moma, em Nampula, e Muanza, na província de Sofala. Uma melhoria significativa face a julho, quando sete distritos em cinco províncias registavam transmissão ativa.
O surto de cólera em Moçambique mantém uma taxa de letalidade de 1,4%, sendo que 48 dos 64 óbitos totais ocorreram nas comunidades, fora do alcance das unidades sanitárias. Numa tentativa de conter a propagação, mais de 1,7 milhões de pessoas – cerca de 99% da meta inicial – foram vacinadas contra a doença em Nampula durante o mês de maio. Uma campanha massiva que, contudo, não impediu o recente foco em Moma, deixando no ar a complexidade do desafio que persiste.
NR/HN/Lusa



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