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A presença do mosquito-tigre (Aedes albopictus), um vector conhecido de vírus como o dengue, zika e chikungunya, foi oficialmente identificada no concelho da Covilhã, distrito de Castelo Branco. O anúncio partiu da Unidade Local de Saúde (ULS) da Cova da Beira, que através de uma publicação na sua página oficial de Facebook instou os cidadãos a agirem de imediato para conter uma possível propagação.
O alerta da ULS da Cova da Beira não surge num vácuo. Já em julho do ano passado, a Direção-Geral da Saúde (DGS) tinha emitido uma orientação para autarquias e outros setores económicos, recomendando a adoção de medidas de prevenção face às deteções crescentes desta espécie invasora em território continental. O aparecimento na Covilhã enquadra-se num padrão de expansão geográfica que se tem vindo a desenhar há anos. A história da sua introdução em Portugal começou com o Aedes aegypti na Madeira, em 2005. Já o Aedes albopictus fixou-se no norte do país, em Penafiel, em 2017, apareceu depois no Algarve (Loulé) no ano seguinte e, mais recentemente, em 2022, no Alentejo (Mértola). Deteções pontuais, como as registadas em Cascais e Pombal, mantinham o risco no nível 1 de uma escala que vai até 3.
Perante esta realidade, o apelo da autoridade de saúde beirã é concreto e dirigido ao quotidiano das pessoas. A nota apela a que se eliminem os chamados “pequenos lagos” urbanos onde o inseto se reproduz: água parada em pratos de vasos, baldes esquecidos nos quintais ou garrafas deixadas ao relento devem ser removidas ou viradas. A água de bebedouros de animais e de taças precisa de ser trocada, no mínimo, uma vez por semana, e os depósitos de água maiores, como cisternas ou poços, devem permanecer cobertos. Piscinas, mesmo as pequenas, carecem de tratamento adequado ou de uma tampa.
Paralelamente, a ULS recomenda uma mudança de hábitos para se escapar à picada. O uso de repelentes com ingredientes como DEET ou Picaridina é aconselhado, assim como a opção por roupa de manga comprida durante os períodos do amanhecer e do entardecer, alturas de maior atividade do mosquito. A colocação de redes mosquiteiras em portas e janelas figura também entre as sugestões. A nota sublinha ainda a obrigatoriedade de notificar qualquer caso de doença transmitida por estes vectores, como dengue ou febre amarela, através do Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica (SINAVE).
A confirmação na Covilhã, longe de ser um caso isolado, parece assim consolidar o mapa de uma presença que veio para ficar, transformando a vigilância individual num fator chave de saúde pública. A orientação da DGS de 2024 mantém-se, por isso, como um documento de referência para tentar travar uma expansão que os especialistas acompanham com atenção.
NR/HN/Lusa



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