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O Partido Socialista nos Açores veio a público censurar a opção do Governo Regional, liderado pela coligação PSD/CDS-PP/PPM, de deixar de fora as farmácias comunitárias da campanha de vacinação sazonal que agora arranca. A crítica, plasmada num comunicado, sustenta que a medida cria uma desigualdade face ao território continental e restringe pontos de acesso à imunização, algo particularmente sensível num arquipélago.
Andreia Cardoso, que lidera a bancada parlamentar do PS/Açores, não poupou nas palavras para classificar a decisão como incompreensível. “Não faz sentido que os açorianos tenham menos direitos e menos acessibilidade”, afirmou, sublinhando a disponibilidade já manifestada pelas farmácias da região, cujos profissionais estão capacitados para a administração segura de vacinas. Para os socialistas, é um desperdício de recursos que penaliza a população, sobretudo num contexto geográfico complexo.
Do outro lado da barricada, a tutela da saúde açoriana afiança que o Serviço Regional de Saúde (SRS) está a dar uma “resposta cabal”. Em declarações à Lusa, o diretor regional da Saúde, Pedro Paes, explicou que se optou por manter a estratégia dos anos anteriores, justificando-a com a ausência de necessidade detetada para alargar a rede de pontos de vacinação. “Foi efetuado um levantamento” e existiria “um processo logístico com custos associados” que seriam imputados ao SRS, referiu, dando a entender que tal investimento não se afigurava prioritário.
Pedro Paes rejeitou ainda a comparação com o continente, invocando as especificidades da região: a insularidade e a dispersão geográfica que, na sua ótica, tornam a realidade dos Açores completamente distinta.
Esta posição do Governo Regional acabou por receber o aval da Secção Regional dos Açores da Ordem dos Enfermeiros. Num comunicado à parte, a estrutura liderada por Pedro Soares congratulou-se explicitamente com a decisão de “garantir que todo o processo é assegurado exclusivamente por enfermeiros”. A Ordem defende que a vacinação, enquanto “ato de cuidados de enfermagem” que inclui avaliação clínica e acompanhamento, fica assim melhor salvaguardada.
A campanha de vacinação contra a gripe e a covid-19 decorre nos Açores de 23 de setembro até 30 de abril de 2026. As vacinas são gratuitas para os grupos de risco definidos, como idosos, grávidas e pessoas com patologias crónicas. Questionado sobre um eventual alargamento, Pedro Paes admitiu que, se necessário, tal será considerado, estando já adquirido um stock de vacinas que permite essa flexibilidade. “A qualquer momento é-nos possível fazer um reforço”, concluiu.
NR/HN/Lusa



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