Portugal lidera em casos de cancro gástrico com incidência superior no Norte

29 de Setembro 2025

Portugal continua a destacar-se negativamente na Europa Ocidental pela elevada incidência de cancro do estômago, situação particularmente grave na região Norte. Projecções internacionais anteveem um agravamento significativo de novos casos e mortes nas próximas décadas, alertando para a urgência de medidas de prevenção e diagnóstico precoce

Portugal mantém-se entre os países da Europa Ocidental com os piores indicadores relativos ao cancro do estômago, apresentando uma incidência particularmente elevada no Norte do país. Os dados mais recentes, referentes a 2022, indicam que foram registados mais de 18 mil novos casos de cancros digestivos e aproximadamente 11 700 mortes em território nacional. Este valor traduz-se numa média de 30 óbitos por dia, sublinhando o peso brutal desta patologia.

As projecções para as próximas décadas não trazem alívio. Estima-se que, até 2045, o número de novos casos de cancros do aparelho digestivo em Portugal possa aumentar cerca de 23%, enquanto a mortalidade associada poderá crescer mais de 30%, ultrapassando as 15 mil mortes anuais. Um cenário que impõe uma reflexão séria sobre as estratégias de saúde pública.

A explicação para estes números, sobretudo para o flagelo no Norte, é multifactorial. Especialistas apontam para os hábitos alimentares tradicionais, ricos em sal, carnes processadas e produtos de fumeiro. A estes factores soma-se a elevada prevalência da infecção pela bactéria Helicobacter pylori, o consumo de tabaco e álcool, e taxas de obesidade e sedentarismo acima da média europeia.

Vítor Neves, Presidente da Europacolon Portugal, alerta para o silêncio que ainda envolve a doença. “Muitas pessoas ignoram sintomas durante meses e chegam tarde ao diagnóstico. Portugal continua a ser o país da Europa Ocidental com a maior incidência de cancro do estômago, sobretudo no Norte, mas estes números não podem ser encarados como uma fatalidade”, afirmou. Sublinhou a necessidade de quebrar tabus, apostar na prevenção e garantir o acesso a rastreios, considerando que a atenção a sinais como perda de apetite, emagrecimento inexplicado, dor persistente no estômago ou azia frequente pode ser decisiva para salvar vidas.

Para além do sofrimento físico e emocional, os doentes enfrentam frequentemente obstáculos no acesso a um diagnóstico atempado, o que agrava o prognóstico. O impacto social e económico da doença é profundo, representando uma carga significativa para as famílias e para o sistema de saúde.

No âmbito do Dia Mundial do Cancro Digestivo, que se assinala a 30 de Setembro, a Europacolon Portugal promove uma acção de sensibilização no NorteShopping, entre as 11h00 e as 15h00. A iniciativa visa alertar a população para a realidade do cancro gástrico e para a sua incidência desproporcional no Norte do país, procurando inverter uma trajectória que se mantém como um dos maiores desafios de saúde pública em Portugal.

PR/HN

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Trabalhadores do INEM definem fronteiras intransigentes para negociação da reestruturação

Os profissionais do Instituto Nacional de Emergência Médica estabeleceram esta quarta-feira as suas condições non negotium para o diálogo com a direção, num clima de apreensão face ao plano de refundação da instituição. A assembleia geral aprovou por larga margem um conjunto de exigências que consideram fundamentais, num movimento que antecede as conversações formais com o conselho diretivo liderado por Luís Mendes Cabral.

OMS reafirma não existir ligação entre as vacinas e o autismo

Uma nova análise de especialistas da Organização Mundial da Saúde sobre a segurança das vacinas concluiu que não existe qualquer relação causal entre as vacinas e as perturbações do espectro do autismo (PEA), indicou a OMS na quinta-feira.

Hospital de São João apela à doação renal em vida

Mais de 1.800 doentes renais crónicos aguardam por transplante de rim em Portugal, uma realidade que a Unidade Local de Saúde São João (ULSSJ), no Porto, quer alterar apelando à doação em vida, disse hoje fonte do hospital.

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights