Retinopatia diabética: um inimigo silencioso que ameaça a visão dos portugueses

9 de Outubro 2025

No Dia Mundial da Visão, APDP e SPD alertam para a retinopatia diabética, causa principal de cegueira evitável. Rastreios anuais são a única forma de detetar a doença silenciosa que já afeta um em cada quatro diabéticos em Portugal

A retinopatia diabética mantém-se como uma das complicações mais insidiosas da diabetes, uma ameaça que se instala sem dar sinais até que o prejuízo visual se torne irreversível. Por ocasião do Dia Mundial da Visão, que se assinala a 9 de outubro, a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal e a Sociedade Portuguesa de Diabetologia lançam um apelo conjunto que visa quebrar o ciclo de diagnósticos tardios. A mensagem é clara: a observação ocular anual não é uma mera recomendação, mas uma necessidade clínica absoluta.

João Filipe Raposo, diretor clínico da APDP e presidente da SPD, sublinha a relação direta entre a gestão da doença e a saúde ocular. “A diabetes bem controlada, com a tensão arterial e o colesterol dentro dos valores recomendados, a par de um estilo de vida saudável, pode reduzir significativamente o risco de desenvolver complicações oculares”, afirma. Para o especialista, a questão transcende a medicina. “Preservar a visão é preservar a autonomia, e fazer o rastreio é um gesto simples com um impacto enorme no futuro das pessoas com diabetes.”

Os números conhecidos pintam um quadro que exige ação. Dados da Federação Internacional da Diabetes referentes a 2021 indicam que mais de 25% das pessoas com diabetes desenvolverão lesões oculares ao longo da vida. Um terço desses casos envolve alterações que colocam a visão em risco iminente. A patologia surge de danos nos minúsculos vasos sanguíneos da retina, uma consequência direta de níveis de glucose persistentemente elevados no sangue.

O que mais inquieta os clínicos é o carácter subterrâneo da doença. “A retinopatia diabética é uma doença que não dá sinais de alerta, o que reforça a importância do rastreio anual, mesmo sem queixas”, confirma Paula Leitão, oftalmologista da APDP e coordenadora do Grupo de Estudo de Diabetes e Visão da SPD. “Só assim conseguimos detetar precocemente e intervir a tempo de evitar a perda de visão.” Esta abordagem proactiva é a única arma eficaz contra uma condição que, nas suas fases iniciais, é totalmente assintomática.

A solução, defendem as entidades, passa pela observação periódica, seja em consulta de oftalmologia ou através de programas de rastreio populacional que ampliem a rede de deteção. Estudos clínicos sustentam que mais de 90% dos casos de perda de visão atribuídos à retinopatia diabética poderiam ser evitados com diagnóstico e tratamento precoces. Numa altura em que se celebra a visão, o apelo da APDP e da SPD é um lembrete urgente de que proteger os olhos da diabetes é uma batalha que se ganha com vigilância, muito antes de qualquer sintoma se manifestar.

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PR/HN

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