Liga dos Bombeiros contesta cortes orçamentais no transporte de doentes

11 de Outubro 2025

A Liga dos Bombeiros Portugueses opõe-se à redução de 12 milhões de euros no transporte de doentes não urgentes no OE2026. António Nunes critica a ausência de um estudo prévio e alerta para o risco de muitas corporações abandonarem este serviço.

A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) veio a público contestar com veemência os cortes financeiros no transporte de doentes não urgentes, tal como estão plasmados na proposta de Orçamento do Estado para 2026. A decisão do Governo, que surpreendeu a LBP, é encarada como um passo em falso, dado ter sido tomada sem qualquer consulta ou estudo de suporte que avaliasse o real impacto da medida.

Em declarações à Lusa, o presidente da Liga, António Nunes, não escondeu o seu desconforto. “Não foi feito qualquer estudo, a Liga não foi ouvida e fomos surpreendidos por esses cortes”, afirmou, acrescentando que ignora completamente como foi definido o valor de 12 milhões de euros a cortar já no próximo ano. A proposta orçamental, entregue na Assembleia da República, aponta para um crescimento de cerca de 119% na despesa com este serviço entre 2014 e 2024, tendo atingido os 212,4 milhões de euros. Para travar esta escalada, o executivo prevê reduções sucessivas: menos 12 milhões em 2026, menos 34,8 milhões em 2027 e menos 46 milhões em 2028.

António Nunes defende que o caminho a seguir seria outro. Na sua perspectiva, era imperativo realizar primeiro um estudo que analisasse a “insensibilidade e a má gestão demonstradas pelas estruturas de saúde”. O sistema atual, nas suas palavras, “carece de uma profunda revisão e uma organização completamente diferente”. O dirigente lembrou que a LBP tem vindo a alertar insistentemente para a necessidade de mudar a filosofia e as práticas associadas a este serviço. “Antes de se apurar se se gasta muito ou pouco, é saber se se gasta bem”, insistiu, numa crítica velada a eventuais irregularidades na gestão dos recursos.

O cerne da questão, segundo a Liga, reside no facto de os cortes cegos não resolverem os problemas de fundo. Muitas corporações de bombeiros, antecipa Nunes, poderão simplesmente deixar de assegurar o transporte de doentes não urgentes se a situação se mantiver. Para além desta matéria, a LBP manifesta igualmente desagrado com o montante de financiamento previsto para os bombeiros voluntários, fixado em cerca de 37 milhões de euros para 2026. A estrutura considera que 49,38 milhões de euros seria o valor mínimo aceitável, deixando no ar uma sensação de insatisfação que promete alastrar.

Este descontentamento generalizado, alimentado pelo aparecimento de movimentos inorgânicos dentro dos bombeiros voluntários – que já levaram a cabo uma concentração junto ao parlamento –, será formalmente debatido no próximo conselho nacional da LBP, marcado para 18 de outubro. Nessa reunião, que promete ser particularmente complexa, será decidido que formas de contestação, incluindo protestos, a Liga irá promover para fazer ouvir a sua voz. O ambiente é, pois, de tensão crescente.

NR/HN/Lusa

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