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Portugal contava no ano passado com menos 9.939 dadores de sangue do que em 2017, uma quebra que se mantém e coloca o país de volta a níveis próximos dos registados antes da pandemia. Os dados constam do Relatório de Atividade Transfusional e Sistema Português de Hemovigilância de 2024, elaborado pelo Instituto Português do Sangue e Transplantação (IPST), ao qual a Lusa teve acesso.
O documento traça um panorama que vai além dos números absolutos. Em 2024, registaram-se 200.965 dadores, menos 4.390 do que no ano anterior. As dádivas totais também sofreram um decréscimo, fixando-se em 299.914, quando em 2017 tinham sido 324.053. A tendência de queda, interrompida durante o pico da crise sanitária, retomou o seu curso.
Um dos aspetos que salta à vista é o envelhecimento progressivo da base de dadores. A idade média aumentou, com um peso maior dos grupos entre os 45 e os 65 anos e mais de 65 anos. Em contrapartida, os escalões etários mais jovens, dos 18 aos 24 e dos 25 aos 44 anos, viram a sua representatividade encolher. A proporção de novos dadores manteve-se estável, sem flutuações significativas, e as mulheres continuam a ser a maioria.
Geograficamente, a Região Norte assumiu a dianteira, responsável por 42,34% das colheitas nacionais. Seguiram-se a Região de Lisboa e Vale do Tejo, com 25,94%, e a Região Centro, com 20,81%. O IPST, através dos seus três centros, realizou 58,36% de todas as dádivas, um valor ligeiramente superior ao de 2023. A redução na colheita fez-se sentir na quase totalidade das instituições, com exceção de sete, entre as quais o IPO de Lisboa e algumas unidades locais de saúde.
A Federação Portuguesa de Dadores Benévolos de Sangue (Fepobades) não poupou críticas ao que classifica como um silêncio político preocupante. Num comunicado divulgado hoje, a estrutura lamenta que, apesar dos alertas enviados ao Ministério da Saúde e a todos os grupos parlamentares, a discussão do Orçamento do Estado e as audições na área da Saúde tenham ignorado por completo a questão das dádivas.
Alberto Mota, representante da federação, sublinha a necessidade de cerca de mil a 1.100 unidades de sangue diárias, um esforço que exige a mobilização de toda a sociedade. “As pessoas, infelizmente, cada vez doam menos e os dadores regulares são gerações que estão a envelhecer”, assinalou, defendendo mais incentivos, melhor planeamento e mais profissionais para agilizar o processo e reduzir tempos de espera. A Fepobades atribui o ligeiro aumento na colheita ao trabalho das associações e núcleos de dadores, que considera “indispensáveis” para fazer face às necessidades.
NR/HN/Lusa



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