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A SOS Racismo acusou esta terça-feira a ministra da Saúde, Ana Paula Martins, de promover um “discurso racista e xenófobo”, num comunicado que classifica as suas declarações sobre a morte de uma grávida na ULS Amadora-Sintra como inaceitáveis e falsas. A associação sustenta que as palavras da governante, proferidas durante a discussão orçamental, revelam uma “visão desumanizadora e profundamente racista”, desviando a atenção de falhas graves do serviço público. O movimento referiu que a família da mulher já terá desmentido a versão apresentada por Ana Paula Martins.
A polémica eclodiu depois de a ministra ter afirmado, na passada sexta-feira, que a grávida, de 36 anos e originária da Guiné-Bissau, não teve acompanhamento prévio naquela unidade de saúde, acrescentando que “há mulheres que vêm a Portugal apenas para fazer o parto”. A SOS Racismo interpreta estas observações como uma tentativa de culpabilizar a vítima, em vez de assumir a responsabilidade do Estado. No seu comunicado, a associação liga o caso a um padrão de “violência obstétrica” que afeta de forma desproporcionada mulheres racializadas e imigrantes há décadas, espelhando um sistema de saúde com desigualdades estruturais.
Em resposta, Ana Paula Martins defendeu-se no parlamento, afirmando não ver “nenhum problema em referir o sítio onde as pessoas nasceram”, lembrando que é também ela natural da Guiné-Bissau. A governante frisou tratar-se de uma “questão de defesa da honra” e que apenas transmitiu um facto. Já no Porto, na segunda-feira, Ana Paula Martins veio esclarecer que partilhou no hemiciclo apenas informações recebidas da ULS Amadora-Sintra, prática que disse ser habitual, e anunciou que o presidente da ULS, Carlos Sá, apresentou a demissão no domingo por ter fornecido dados incompletos sobre o caso. A bebé, submetida a uma cesariana de emergência, viria a morrer na manhã de sábado.
NR/HN/Lusa



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