Superlotação no maior hospital do norte de Moçambique eleva riscos de contaminação

6 de Novembro 2025

O Hospital Central de Nampula, principal unidade de saúde do norte de Moçambique, opera com 115% da sua capacidade. O porta-voz alerta para riscos de contaminação e confirma défice de profissionais em serviços críticos

O Hospital Central de Nampula, na província moçambicana do mesmo nome, enfrenta uma saturação crítica dos seus serviços. A unidade, que é a maior do norte do país, regista atualmente cerca de 115% da sua capacidade de internamento, um cenário que impossibilita as práticas de desinfeção e rotação de camas consideradas ideais.

Suleimane Isidro, porta-voz do hospital, explicou que a taxa de ocupação, que deveria oscilar entre 80% e 90% para garantir a segurança, está largamente ultrapassada. “Das cerca de 600 camas que nós temos neste hospital, hoje elas não conseguem suportar a demanda”, sublinhou. A situação decorre do facto de esta unidade ser a recetora de todos os pacientes graves da província, incluindo dos seus 23 distritos, e ainda de doentes transferidos de hospitais das províncias vizinhas, como Niassa e Cabo Delgado.

Esta superlotação acarreta um risco partilhado de contaminação por infeções, tanto para os pacientes como para os profissionais de saúde. A administração do hospital recomenda, por isso, o uso generalizado de máscara como medida de proteção. “Os riscos são compartilhados. Há riscos quer para o próprio paciente, quer para o profissional de saúde”, afirmou Isidro.

A crise de capacidade ocorre num contexto de tensão laboral. Na semana passada, os médicos do hospital ameaçaram paralisar atividades devido ao não pagamento de horas extraordinárias. Após um encontro com o Secretário de Estado de Nampula, foi alcançado um consenso. Aos médicos foi assegurado que o pagamento seria efetuado até 15 de novembro, o que levou ao recuo da ameaça de greve.

“Os médicos disseram que vão deixar que o hospital resolva os assuntos discutidos na reunião até ao dia 15 de novembro. Então, o hospital está a trabalhar para resolver essas questões, para ver se até dia 16 nós estaremos em harmonia para continuar com as atividades”, detalhou o porta-voz.

Para além da pressão sobre a infraestrutura, a unidade de saúde reconhece um défice crónico de profissionais de saúde. Este problema é particularmente agudo em serviços considerados essenciais, nomeadamente nas urgências gerais, pediátricas, de ginecologia, na maternidade e no banco de socorro para adultos, agravando as dificuldades de resposta num hospital que serve como última referência para uma vasta população.

NR/HN/Lusa

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