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A representante do Fundo das Nações Unidas para a População (UNFPA) em Angola, Rinko Kinoshita, apelou esta terça-feira, 5 de novembro, à conceção de uma solução “imediata e de longo prazo” para o défice de contracetivos que afeta o país. A intervenção ocorreu num ‘workshop’ na Assembleia Nacional dedicado ao Planeamento Familiar e ao Impacto das Alterações Climáticas na Saúde Sexual e Reprodutiva.
Kinoshita atribuiu a escassez nacional de suprimentos a “volatilidades no financiamento global” para esta área. O compromisso da agência, disse, é assegurar que “toda mulher, rapariga e jovem possam decidir sobre o seu próprio corpo e o seu próprio futuro”, com acesso permanente a informação e serviços, “sem deixar ninguém para trás”. A responsável trouxe à colação os dados mais recentes do Inquérito de Indicadores Múltiplos de Saúde, que, apontando para progressos, continuam a refletir uma realidade complexa. Apenas 15% das mulheres casadas ou em união de facto utilizam métodos modernos, uma percentagem que desaba para 8% nas zonas rurais e para 6% entre as adolescentes.
“Estes números não são apenas estatísticas, são histórias de desigualdade e das barreiras que ainda precisamos superar”, afirmou, com um tom que mesclava a frieza dos números com a urgência da ação. Apesar dos avanços, Angola mantém uma das taxas de fecundidade mais altas da África Austral, fixada em 4,8 filhos por mulher, e 27% das adolescentes entre os 15 e os 19 anos já engravidaram pelo menos uma vez. Kinoshita argumentou que investir nesta área é um catalisador para o desenvolvimento, transformando vidas ao reduzir a mortalidade materna, aumentar a escolarização das raparigas e fortalecer a resiliência familiar. “Cada kwanza aplicado no planeamento familiar transforma vidas”, sustentou, ligando de forma clara a saúde reprodutiva a ganhos económicos e sociais mais amplos.
Do lado angolano, a presidente da Assembleia Nacional, Carolina Cerqueira, não ignorou a dureza dos indicadores, reconhecendo que o país “ainda enfrenta desafios no âmbito da saúde sexual e reprodutiva”. Para Cerqueira, o caminho a seguir exige uma “visão integrada”, onde as políticas climáticas, a saúde pública e a proteção social converjam para um objetivo comum. A sua visão passa por “empoderar as mulheres e garantir-lhes acesso a serviços de saúde reprodutiva, educação e informação”, classificando esta abordagem como uma das vias mais eficazes para construir uma sociedade menos vulnerável. O discurso, alinhado com o do UNFPA, sinaliza um reconhecimento político do problema, ainda que as soluções concretas permaneçam por materializar perante a crónica instabilidade dos financiamentos.
NR/HN/Lusa



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