![]()
A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) viu o seu projeto para um mestrado integrado em Medicina ser acreditado, ainda que de forma condicional, pelo conselho de administração da Agência de Avaliação e Acreditação do Ensino Superior (A3ES). A decisão, tomada na passada quarta-feira, abre caminho para a criação do curso em Vila Real, uma ambição antiga da instituição.
Para a Associação Nacional de Estudantes de Medicina (ANEM), a nova oferta formativa surge num momento crítico. Paulo Simões Peres, presidente da ANEM, não esconde que as atuais escolas médicas nacionais “estão bastante sobrecarregadas de estudantes”, sublinhando a falta de capacidade para aumentar lugares. Neste contexto, o curso da UTAD é encarado não como um mero incremento, mas como uma oportunidade estratégica. “Pode representar uma oportunidade para, por exemplo, reduzir as vagas em alguns ciclos de estudos de medicina em Portugal, através da transferência” de candidatos para Vila Real, explicou o dirigente estudantil.
Este alívio, contudo, não pode comprometer os padrões. Peres insistiu na necessidade de “garantir também a qualidade formativa”, alinhando-a com o que já se pratica no país. Entre as exigências concretas da ANEM está o reforço do Departamento de Educação Médica na própria A3ES e, no terreno, a materialização de um centro de simulação de alta qualidade. “Achamos que é algo bastante importante atualmente na formação médica, termos um centro de simulação com qualidade, que permita que os estudantes façam um ensino em simulação”, afirmou, defendendo que esta ferramenta é crucial para construir confiança antes do contacto real com os doentes.
A sombra sobre o projeto é lançada pelos mesmos desafios de sempre, agora salientados pela Ordem dos Médicos. A escassez de clínicos e, em particular, de docentes doutorados, é um problema nacional que pode, segundo a ANEM, “comprometer a formação” se não for devidamente enfrentado na UTAD.
Desenhado em parceria com a Unidade Local de Saúde de Trás-os-Montes e Alto Douro (ULSTMAD), o curso prevê a admissão de 40 estudantes anuais. O seu plano de estudos pretende basear-se no ensino em pequenos grupos e na análise de casos clínicos, uma tentativa de fugir a modelos mais expositivos. Para colmatar a dispersão geográfica dos locais de estágio – a ULS integra hospitais em Vila Real, Chaves e Lamego, além de 23 centros de saúde – a universidade e a unidade de saúde prepararam já um sistema de transportes dedicado para ligar os estudantes aos diferentes polos.
A aprovação condicional pela A3ES tem uma duração de dois anos, período durante o qual a UTAD terá de provar que consegue cumprir com os requisitos estabelecidos pela agência de avaliação.
NR/HN/Lusa



0 Comments