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Num tom sereno mas firme, Henrique Gouveia e Melo não poupou críticas a quem, na sua ótica, procura beneficiar eleitoralmente das fragilidades do setor da saúde. O candidato a Belém reagia assim ao desafio para um debate temático lançado por André Ventura, numa clara alusão ao líder do Chega, sem, no entanto, o nomear explicitamente.
“Eu não só estou disponível, como fui o primeiro a levantar o problema. Portanto, virem cavalgar agora um problema, principalmente num momento em que o Governo está com problemas também em mãos nessa área, parece-me excessivo”, afirmou, visivelmente incómodo com a sugestão. Gouveia e Melo recordou que as suas primeiras críticas sobre a matéria foram escritas em junho e integrarão um livro de publicação próxima, onde o seu pensamento sobre o que é preciso alterar no SNS estará “bem claro”.
Questionado sobre a potencial greve dos médicos tarefeiros, o candidato traçou uma linha clara sobre o que entende ser o papel do Presidente da República. Defendeu que o chefe de Estado não se deve “imiscuir na política do dia-a-dia”, sob pena de se transformar numa “oposição ou então, se não é oposição, é reforço” ao Governo. A sua função, acrescentou, deve circunscrever-se a uma “pressão de fundo para a resolução geral dos problemas da sociedade”, deixando espaço para o executivo governar e ser subsequentemente julgado pelos eleitores ou, em última instância, pelo próprio Presidente, “se houver uma crise grave que afete a segurança e as instituições democráticas”.
A posição do candidato surge numa altura em que o Governo reafirmou a sua intenção de avançar com as alterações ao regime de trabalho dos médicos prestadores de serviço, medidas que visam disciplinar remunerações e estabelecer incompatibilidades, atenuando assim as assimetrias salariais dentro do SNS.
NR/HN/Lusa



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