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A secretária regional da Saúde dos Açores, Mónica Seidi, adiantou esta quarta-feira, perante os deputados da comissão de Assuntos Sociais, que o Governo Regional reservou dois milhões de euros especificamente para a aquisição de equipamentos destinados ao Hospital Divino Espírito Santo (HDES), em Ponta Delgada. A verba consta da proposta de Plano e Orçamento para 2026, que será votada ainda durante este mês de novembro.
No entanto, a governante mostrou-se cautelosa e recusou-se a avançar com qualquer previsão sobre o custo total inerente ao projeto de requalificação da unidade hospitalar, que sofreu um incêndio em maio de 2024. “Na calendarização dos equipamentos, no âmbito do HDES, são cerca de dois milhões para esse fim. Em relação ao projeto, neste momento não sabemos a magnitude ou a dimensão do projeto que irá ser feito”, afirmou Seidi, deixando no ar a complexidade de um processo que ainda está em fase de análise.
A proposta orçamental para o próximo ano contempla uma dotação global de oito milhões de euros para a “recuperação e requalificação” do HDES. Questionada sobre quanto desse montante restante será absorvido pela elaboração do projeto de execução, a secretária foi perentória: “Não sei dizer com toda a certeza quanto é que vai custar o projeto de execução do HDES. Não sei. Não vou atirar um número porque neste momento não tenho informação que consiga prever essa despesa”. Esta indefinição reflete a fase embrionária em que se encontra o planeamento da intervenção.
A justificação para a prudência prende-se com os trabalhos da comissão de análise, presidida por Luís Maurício, que está a avaliar dois planos funcionais distintos, elaborados por empresas diferentes, e a compilar as propostas dos diretores de serviço. Mónica Seidi garantiu que a equipa trabalha a “todo o gás” para ter o relatório final sobre o programa funcional pronto até ao final deste ano, mas ressalvou que “as coisas não vêm todas feitas à primeira vez”. Admitiu que, por ora, é “demasiado prematuro” estabelecer um cronograma definitivo, pois tal acarretaria o “risco de acontecer o que já aconteceu – e eu não queria –, que é falhar o prazo”.
A governante não ignorou as consequências do sinistro no funcionamento do Serviço Regional de Saúde, reconhecendo um “agravamento dos tempos médios de espera”. “Houve um fator disruptor. Tivemos um incêndio. Tínhamos uma capacidade instalada de blocos operatórios, capacidade essa que foi fortemente reduzida com o que passou em maio de 2024”, recordou. Após o fogo, que obrigou à evacuação total de doentes, os serviços do HDES têm reaberto de forma faseada e um hospital modular foi instalado nas imediações do edifício principal, à espera das obras de fundo.
A aprovação do Plano e Orçamento regionais, onde se insere esta verba, depende agora de um equilíbrio político delicado. O executivo do PSD/CDS-PP/PPM, para além do seu próprio bloco, necessitará do apoio do PS ou do Chega para viabilizar os documentos no parlamento açoriano, que conta com 57 deputados e uma configuração partidária particularmente fragmentada.
NR/HN/Lusa



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