São José consolida liderança na cirurgia robótica

7 de Novembro 2025

A Unidade Local de Saúde São José realizou mais de 2800 intervenções com robôs cirúrgicos desde 2019. O volume anual quintuplicou, afirmando-se como referência nacional na tecnologia

A Unidade Local de Saúde São José transformou-se num epicentro da cirurgia robótica portuguesa. Desde que introduziu o primeiro robô cirúrgico do SNS, em novembro de 2019, a unidade registou uma progressão notória no volume de procedimentos. Os números, que começaram com 158 intervenções em 2020, dispararam para 850 no ano passado. Até setembro de 2025, contabilizavam-se já 618 operações, um ritmo que sugere nova quebra de recordes.

Rosa Valente de Matos, presidente do Conselho de Administração, não esconde uma satisfação contida. “Estes números refletem a aposta na inovação. Somos o maior e mais experiente centro de robótica do Serviço Nacional de Saúde”, afirmou. A dirigente sublinha ainda o duplo impacto da tecnologia: benefícios palpáveis na recuperação dos doentes e um fator de atração e motivação para os profissionais.

A instituição opera presentemente com dois sistemas robóticos, utilizados numa miríade de especialidades. Urologia, cirurgia colorretal, bariátrica e até patologias hepatobiliares ou pediátricas passaram a ter na robótica uma ferramenta comum. A ergonomia melhorada para o cirurgião – que opera sentado – e o menor desgaste físico em procedimentos longos são duas das vantagens frequentemente apontadas.

Mas o que verdadeiramente distingue a unidade são os feitos pioneiros. Em fevereiro de 2024, a equipa realizou o primeiro transplante hepático com recurso a robótica na Europa. Mais recentemente, executou um transplante de fígado utilizando dois robôs em simultâneo, um para o recetor e outro para o dador. São marcas que, lá fora, fazem correr tinta.

A evolução técnica não para. A instituição aponta para inovações de futuro como a cirurgia por “porta única” – uma única incisão –, o feedback tátil dos instrumentos ou a integração de inteligência artificial e realidade aumentada para guiar o gesto cirúrgico. O caminho, traçado em 2019, parece longe de terminar.

A trajetória da ULS São José ilustra uma mudança de paradigma no bloco operatório nacional. O que começou como um projeto pioneiro é hoje uma realidade clínica robusta, com números que falam por si e uma ambição que teima em não conhecer limites.

NR/HN/Lusa

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