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Paulo Dimas, presidente executivo do consórcio Center for Responsible AI, confirma que a estrutura técnica do projeto já ultrapassou a marca dos 80%, faltando pouco mais de oito meses para concluir os 19 produtos inicialmente propostos. A iniciativa, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência, abrange sobretudo as áreas da saúde, turismo e retalho, com cinco dessas soluções a registarem uma execução técnica superior a 95%.
“Estamos a falar de cerca de 19 produtos, existe um produto novo que nós propusemos desenvolver agora até ao final deste ciclo, mas, essencialmente, são 19”, esclarece Dimas. O responsável antecipa que, já no próximo dia 25 de novembro, muitos deles serão apresentados publicamente no Fórum Responsible AI, em Lisboa, que contará com uma conversa entre o neurocientista António Damásio e Fernando Pereira, vice-presidente da Google DeepMind.
No setor da saúde, o consórcio tem procurado criar “massa crítica”, com projetos como o da Priberam, que auxilia os médicos durante as consultas, permitindo-lhes manter o contacto visual com os doentes. Outro exemplo é o Halo, uma ferramenta que devolve a voz a pessoas com doenças neurodegenerativas, como a Esclerose Lateral Amiotrófica. “Tivemos casos de utilizadores que tinham a eutanásia marcada e a adiaram porque recuperaram a sua identidade, a sua voz”, relata o CEO, destacando o impacto direto na vida das pessoas.
No turismo, uma parceria com o grupo Pestana permitiu desenvolver, através da Youverse, um sistema de check-in ativo em mais de 30 hotéis, reduzindo o tempo de entrada dos clientes em cerca de 20%. Já no retalho, as soluções passam sobretudo pela automatização de processos de apoio ao cliente. A Visor.ai criou, por exemplo, um produto que trata integralmente do agendamento para vacinação em farmácias, respondendo a 99% das chamadas. A Automaise, por sua vez, colaborou com a Sonae e o Continente para automatizar interações ligadas ao regresso às aulas.
André Eiras, cofundador da Sword Health, realça a necessidade de “gerar novos produtos” e estabelecer como meta alcançar 39 milhões de euros até 2027 – uma fasquia que, garante, será largamente ultrapassada. “Estamos com uma perspetiva de gerar mais de 50 milhões”, afirma, sublinhando a ambição de um go-to-market que posicione Portugal como caso de sucesso a nível global.
Paulo Dimas não esconde a ambição internacional. “Irrita-me profundamente quando uma startup me diz que já está em Espanha e a mirar o mercado do Brasil”, confessa, defendendo que as empresas devem apostar em mercados como os EUA para ganhar escala. Empresas como a Bial, Sonae, Pestana e hospitais como o São João e o da Luz funcionam como “berços de inovação”, validando localmente os produtos, mas o grande desafio continua a ser a expansão além-fronteiras.
O consórcio, que integra 22 parceiros e representa um investimento total de 77 milhões de euros, é apontado por Dimas como “o maior investimento em IA responsável à escala europeia”. Um modelo que classifica como “virtuoso”, já que contribui para aumentar as exportações, atrair e reter talento em Portugal.
NR/HN/Lusa



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