Consórcio de IA atinge 80% de execução com 19 produtos em desenvolvimento

8 de Novembro 2025

O consórcio Center for Responsible AI, liderado pela Sword Health, revela que 80% do projeto financiado pelo PRR está executado, restando oito meses para concluir os 19 produtos em saúde, turismo e retalho. Investimento realizado supera os 60 milhões de euros, com expectativa de gerar mais de 50 milhões em receitas até 2027.

Paulo Dimas, presidente executivo do consórcio Center for Responsible AI, confirma que a estrutura técnica do projeto já ultrapassou a marca dos 80%, faltando pouco mais de oito meses para concluir os 19 produtos inicialmente propostos. A iniciativa, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência, abrange sobretudo as áreas da saúde, turismo e retalho, com cinco dessas soluções a registarem uma execução técnica superior a 95%.

“Estamos a falar de cerca de 19 produtos, existe um produto novo que nós propusemos desenvolver agora até ao final deste ciclo, mas, essencialmente, são 19”, esclarece Dimas. O responsável antecipa que, já no próximo dia 25 de novembro, muitos deles serão apresentados publicamente no Fórum Responsible AI, em Lisboa, que contará com uma conversa entre o neurocientista António Damásio e Fernando Pereira, vice-presidente da Google DeepMind.

No setor da saúde, o consórcio tem procurado criar “massa crítica”, com projetos como o da Priberam, que auxilia os médicos durante as consultas, permitindo-lhes manter o contacto visual com os doentes. Outro exemplo é o Halo, uma ferramenta que devolve a voz a pessoas com doenças neurodegenerativas, como a Esclerose Lateral Amiotrófica. “Tivemos casos de utilizadores que tinham a eutanásia marcada e a adiaram porque recuperaram a sua identidade, a sua voz”, relata o CEO, destacando o impacto direto na vida das pessoas.

No turismo, uma parceria com o grupo Pestana permitiu desenvolver, através da Youverse, um sistema de check-in ativo em mais de 30 hotéis, reduzindo o tempo de entrada dos clientes em cerca de 20%. Já no retalho, as soluções passam sobretudo pela automatização de processos de apoio ao cliente. A Visor.ai criou, por exemplo, um produto que trata integralmente do agendamento para vacinação em farmácias, respondendo a 99% das chamadas. A Automaise, por sua vez, colaborou com a Sonae e o Continente para automatizar interações ligadas ao regresso às aulas.

André Eiras, cofundador da Sword Health, realça a necessidade de “gerar novos produtos” e estabelecer como meta alcançar 39 milhões de euros até 2027 – uma fasquia que, garante, será largamente ultrapassada. “Estamos com uma perspetiva de gerar mais de 50 milhões”, afirma, sublinhando a ambição de um go-to-market que posicione Portugal como caso de sucesso a nível global.

Paulo Dimas não esconde a ambição internacional. “Irrita-me profundamente quando uma startup me diz que já está em Espanha e a mirar o mercado do Brasil”, confessa, defendendo que as empresas devem apostar em mercados como os EUA para ganhar escala. Empresas como a Bial, Sonae, Pestana e hospitais como o São João e o da Luz funcionam como “berços de inovação”, validando localmente os produtos, mas o grande desafio continua a ser a expansão além-fronteiras.

O consórcio, que integra 22 parceiros e representa um investimento total de 77 milhões de euros, é apontado por Dimas como “o maior investimento em IA responsável à escala europeia”. Um modelo que classifica como “virtuoso”, já que contribui para aumentar as exportações, atrair e reter talento em Portugal.

NR/HN/Lusa

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