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O primeiro-ministro admitiu hoje que os recentes casos de partos em ambulâncias o incomodam profundamente, mas afastou qualquer rutura política com a ministra da Saúde. “Claro que me incomoda muito que haja partos em ambulâncias ou mesmo na via pública”, afirmou Luís Montenegro aos jornalistas, durante uma visita ao hospital Beneficente Portuguesa do Pará. O líder do Governo mostrou-se, contudo, cioso em aguardar por um levantamento sistematizado que permita compreender as causas concretas por detrás destas situações.
Questionado de forma directa sobre a confiança política em Ana Paula Martins, a resposta foi perentória. “Totalmente, totalmente, na Ministra da Saúde e em todos os membros do Governo. Não há nenhum membro do Governo que possa estar no Governo sem ter a minha total confiança”, declarou. Para Montenegro, estes incidentes podem decorrer de “muitas razões” que, na sua perspectiva, nada têm a ver com “ineficiência ou a falta de capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde”.
As declarações surgem na sequência de um caso particular que captou a atenção pública: uma grávida de 38 semanas, natural da Guiné-Bissau, faleceu após dar entrada em paragem cardiorrespiratória, transportada pelo INEM. O bebé, nascido por cesariana de emergência na Unidade Local de Saúde Amadora/Sintra, não sobreviveu. O hospital deu início a um inquérito interno para apurar as circunstâncias que envolveram a morte. A mulher estivera no hospital para uma consulta, onde foi detetada hipertensão, mas recebeu alta.
O episódio ganhou contornos adicionais quando a ministra da Saúde, interpelada no parlamento, afirmou que a grávida não tivera acompanhamento prévio no hospital. Dois dias volvidos, a administração da ULS Amadora-Sintra veio rectificar a informação, reconhecendo que a mulher estava a ser seguida nos cuidados de saúde primários desde o mês de julho.
Questionado sobre esta contradição factual, Luís Montenegro não se alheou do erro. Confirmou que “essa informação veio a verificar que não estava completa e face a isso o responsável pela emissão da informação acabou por apresentar a sua demissão”. Num tom que misturava pragmatismo com consternação, o primeiro-ministro acrescentou: “Francamente, nós lamentamos muito que isso tenha acontecido, era desejável e é desejável que isto não aconteça, mas isto acontece, ninguém é infalível”.
Sem desvalorizar a gravidade dos acontecimentos, Montenegro enfatizou o empenho governamental em assegurar não só os serviços de urgência necessários para situações emergentes, mas também um “acompanhamento obstétrico permanente em todos os espaços territoriais do país”.
NR/HN/Lusa



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