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08De acordo com o gabinete estatístico europeu, a despesa total com prestações de proteção social na União Europeia fixou-se nos 4,9 mil milhões de euros em 2024. Este valor traduz um crescimento homólogo de 6,9%, num sinal claro da pressão que estes encargos continuam a exercer sobre as finanças públicas do blque. O relatório, tornado público hoje em Bruxelas, sublinha que este montante equivale a 27,3% do Produto Interno Bruto (PIB) comunitário, um acréscimo de 0,6 pontos percentuais face ao ano anterior.
A fotografia da despesa social entre os Vinte-Sete é, contudo, bastante desigual. No topo da tabela, com o maior peso relativo no PIB, situam-se a Finlândia (32,5%), a França (31,9%) e a Áustria (31,8%). Do outro lado, encontram-se a Irlanda, onde estas prestações absorveram apenas 12,4% da riqueza nacional, Malta (13,4%) e a Hungria (16,6%). A verdade é que estes números espelham não apenas diferentes modelos de Estado Social, mas também dinâmicas económicas e estruturas demográficas profundamente distintas.
No caso português, a despesa com proteção social representou 23,2% do PIB no ano passado, um valor que compara com os 22,5% registados em 2023. Esta subida acompanha, de certo modo, a tendência média de alastramento do sector social na economia da UE.
Ao esmiuçar a composição da despesa, o Eurostat revela que os subsídios de velhice constituem, de longe, o encargo mais significativo. Esta rubrica consumiu 2,044 mil milhões de euros, o que corresponde a 41,5% do total desembolsado. Logo a seguir, as prestações ligadas a doença e aos cuidados de saúde pesaram 1,463 mil milhões de euros, absorvendo 29,7% da verba global. Juntos, estes dois capítulos explicam mais de 70% do esforço financeiro com proteção social na União, um dado que não surpreende mas que impõe uma reflexão sobre a sustentabilidade futura dos sistemas perante o envelhecimento populacional. Os números frios, afinal, têm sempre uma história para contar sobre a sociedade que retratam.
NR/HN/Lusa



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