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A resposta territorial em Saúde Mental no Médio Tejo ganhou um novo fôlego com a chegada de uma viatura 100% elétrica, destinada a servir as Equipas Comunitárias de Saúde Mental (ECSM). Este passo, financiado pelo Programa de Apoio ao Desenvolvimento das ECSM, representa um investimento na casa dos trinta mil euros e procura resolver um dos maiores constrangimentos no terreno: a mobilidade. A ambição é clara: tornar a presença das equipas mais frequente e previsível, sobretudo nos concelhos de maior dispersão, assegurando que a vigilância e o acompanhamento não falham por falta de transporte.
O plano de ação da ULS Médio Tejo estrutura a sua intervenção comunitária em quatro equipas, que no conjunto cobrem uma população superior a 213 mil habitantes. Duas delas, a ECSM de Ourém e a ECSM Centro, sediada no Hospital de Tomar, já têm um funcionamento consolidado, cinco dias por semana. As restantes, a ECSM Este e a ECSM Oeste, arrancaram atividade apenas este ano e operam, por enquanto, em regime quinzenal. A primeira desloca-se à Unidade de Saúde Familiar Beira Tejo, em Abrantes, enquanto a segunda atua a partir do Centro de Saúde de Alcanena, com a expetativa de alargar brevemente a sua ação a Riachos. O horizonte, contudo, é ambicioso: conseguir que estas duas equipas atinjam uma periodicidade mínima semanal a curto prazo.
É este dispositivo que garante a visita domiciliária em toda a região, uma espinha dorsal de um trabalho que se quer multidisciplinar e que extravasa em muito a simples administração de medicamentos. A nova viatura não é, portanto, um mero utensílio logístico. É entendida como uma ferramenta clínica, um meio para chegar mais longe e com mais regularidade, construindo uma rede de segurança para utentes com elevada dependência do apoio comunitário.
Para Luísa Delgado, Diretora do Serviço de Saúde Mental da ULS Médio Tejo, o impacto mede-se em qualidade assistencial. “Nas Equipas Comunitárias, sabemos que cada quilómetro conta, e por isso, encurtamos a distância. Vamos ao encontro das pessoas, onde moram”, descreve. A diretora pinta um quadro vívido do trabalho diário: “Convidam-nos a entrar nas suas casas e mostram-nos como vivem. Partilhamos as suas dificuldades e falamos com quem cuida. Estamos com o doente e a sua família, encontramos alternativas em situações e momentos muito difíceis, construímos projetos, alavancamos a esperança.”
Os resultados, garante, materializam-se em “menos internamentos, menos vindas à urgência, mais inclusão e aceitação, mais ocupações e trabalhos ajustados a cada um e menos estigma”. E conclui: “Uma viatura dedicada significa maior presença no território, maior regularidade, maior vigilância e maior segurança para os nossos utentes.”
Na mesma linha, o Presidente do Conselho de Administração, Casimiro Ramos, enfatiza o carácter estratégico do investimento. “A Saúde Mental deve estar onde as pessoas estão. A aposta no trabalho comunitário é estrutural e esta viatura é mais um passo para garantir que a intervenção chega a mais concelhos com rapidez, qualidade e equidade”, afirmou. Ramos reafirmou o empenho da administração em “consolidar um SNS mais próximo, mais integrado e mais atento às necessidades reais das populações”, sinalizando que o modelo comunitário é um eixo central no desenvolvimento dos serviços de saúde na região.
PR/HN


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