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mês de novembro trouxe consigo um incremento incomum de circulação de vírus respiratórios como o rinovírus, adenovírus e o vírus sincicial respiratório (VSR), organismos que costumam ser mais perigosos para a população idosa e para quem sofre de patologias crónicas. A conjugação destes agentes com a gripe sazonal, que se espera vir a ter o seu pico dentro de algumas semanas, coloca o sistema de saúde perante um desafio que pode ser atenuado com planeamento.
Pablo Turrión, diretor médico do Hospital Universitário Sanitas La Moraleja, sublinha a necessidade de antecipar a vacinação. “O sistema imunitário demora entre duas a quatro semanas a construir uma resposta protetora depois de receber a vacina. Se a administrarmos agora, os grupos de risco estarão mais defendidos quando a gripe atingir a sua máxima circulação, o que se traduzirá em menos complicações respiratórias, menos internamentos e menor pressão sobre as urgências”, explica. Esta abordagem proativa permite chegar ao coração da época epidémica com as defesas já consolidadas.
Mas o problema não se confina ao desconforto clínico imediato. Miriam Piqueras, diretora médica da Sanitas Mayores, descreve um cenário mais complexo. “Febre, fadiga extrema e dificuldade em respirar levam, com frequência, a uma perda acentuada de autonomia nos idosos. Diminui a atividade física, a vida social contrai-se e, pior ainda, estas infeções funcionam muitas vezes como um gatilho para a descompensação de problemas cardiovasculares ou respiratórios que já existiam”, afirma. A médica acrescenta que uma hospitalização por causa respiratória eleva ainda o risco de deterioração cognitiva e de perda de massa muscular, sequelas que podem tornar-se permanentes.
Perante este panorama, os cuidados a adotar passam por gestos simples mas determinantes. Manter hábitos que reforcem o sistema imunitário é meio caminho andado: uma alimentação equilibrada, com espaço para frutas, legumes, cereais integrais e proteínas de qualidade, fornece os micronutrientes indispensáveis. A isto junta-se um sono verdadeiramente reparador, vital para a regeneração do organismo, e a prática de exercício físico moderado, que mantém o corpo alerta e mais resistente.
A qualidade do ar nos espaços interiores é outro fator crucial. Com o tempo mais frio, passa-se mais tempo em ambientes fechados, onde a concentração de partículas virais pode ser maior. Ventilar as divisões, abrindo as janelas durante pelo menos dez minutos por dia, ou usar humidificadores – desde que escrupulosamente limpos para não libertarem fungos –, melhora o ambiente e dificulta a transmissão.
A higiene das mãos mantém-se como uma das barreiras mais eficazes. Lavá-las com frequência com água e sabão ou usar uma solução alcoólica são gestos que quebram cadeias de contágio. Já em locais com muita gente, como transportes públicos ou centros de saúde, o recurso à máscara cirúrgica oferece uma proteção adicional, sobretudo para pessoas com o sistema imunitário fragilizado.
Os clínicos alertam ainda para a importância de não menosprezar sintomas. Uma febre que teima em não baixar, tosse intensa ou sensação de falta de ar são sinais que justificam uma avaliação médica. Esta consulta é essencial para despistar coinfeções ou complicações, como pneumonias ou agudizações de DPOC e asma, que alteram por completo a capacidade de resposta do organismo.
Há, contudo, uma subtileza imunológica a considerar. Pablo Turrión lembra que “as infeções precoces podem condicionar a forma como o corpo reage mais tarde ao vírus da gripe e a outros agentes sazonais”. Uma exposição prévia a certos vírus respiratórios tem o potencial, nalguns casos, de intensificar processos inflamatórios ou agravar a severidade de sintomas em encounters posteriores. Daí que o acompanhamento clínico próximo e um atendimento verdadeiramente individualizado se revelem tão necessários.
PR/HN



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