Combinação de fármacos mostra potencial para melhorar tratamento do cancro colorretal

10 de Novembro 2025

Estudo pré-clínico liderado pela Universidade de Barcelona descobriu um mecanismo metabólico que explica a resistência das células de cancro colorretal ao fármaco palbociclib. A investigação demonstra que a combinação deste medicamento com a telaglenastat bloqueia essa adaptação das células, resultando num efeito sinérgico que reduz significativamente a proliferação tumoral, abrindo caminho para futuros ensaios clínicos

Uma nova abordagem terapêutica que combina dois fármacos, palbociclib e telaglenastat, poderá vir a contornar um dos maiores obstáculos no tratamento do cancro colorretal: a resistência das células cancerígenas aos medicamentos. A descoberta resulta de um estudo pré-clínico que identificou um mecanismo metabólico crítico por trás dessa resistência, abrindo caminho a estratégias terapêuticas mais eficazes para um dos cancros mais diagnosticados a nível global.

A investigação, desenvolvida por uma equipa da Universidade de Barcelona e do Instituto de Biologia Molecular de Barcelona (CSIC), entre outras instituições, focou-se no palbociclib, um fármaco já utilizado noutros cancros, como o da mama. Este medicamento atua inibindo as proteínas CDK4 e CDK6, travando a divisão celular descontrolada. Contudo, tal como acontece com frequência em oncologia, as células do cancro colorretal conseguem, por vezes, adaptar-se e desenvolver resistência ao tratamento.

O que o estudo agora publicado na revista Oncogene revela é que essa resistência não é aleatória. As células que sobrevivem ao palbociclib sofrem uma profunda reprogramação metabólica, alterando a forma como obtêm energia. Especificamente, intensificam o seu metabolismo da glutamina, um aminoácido crucial, e aumentam a atividade das suas mitocôndrias. Foi neste ponto que os investigadores visaram a sua estratégia. Perceberam que, ao combinar o palbociclib com a telaglenastat — um inibidor de uma enzima-chave no processamento da glutamina (a glutaminase) — poderiam cortar o caminho a essa adaptação.

“O palbociclib e a telaglenastat induzem respostas metabólicas complementares, tornando-os particularmente adequados para contrariar a reprogramação metabólica causada pelo outro fármaco”, explicam os primeiros autores do artigo, Míriam Tarrado-Castellarnau e Carles Foguet. De acordo com a professora Marta Cascante, investigadora principal do estudo ao lado de Timothy M. Thomson, “um tratamento combinado com estes dois fármacos impede aquele processo de reprogramação metabólica das células cancerígenas que sobrevivem aos tratamentos anticancro”.

Os resultados, obtidos em modelos in vitro e em animais, demonstram que a dupla atuação dos medicamentos produz um efeito sinérgico, reduzindo de forma mais significativa a proliferação tumoral do que cada fármaco isoladamente. Ao bloquear duas vias essenciais em simultâneo, a equipa acredita ter encontrado uma forma de fechar a porta de escape que as células cancerígenas usam para resistir. Estes achados, sustentam os investigadores, justificam a proposta de avançar com esta combinação para ensaios clínicos, podendo no futuro representar uma nova opção para doentes com cancro colorretal.

Referências Bibliográficas: Tarrado-Castellarnau, Míriam et al. “Glutaminase as a metabolic target of choice to counter acquired resistance to Palbociclib by colorectal cancer cells”. Oncogene, July 2025. DOI: 10.1038/s41388-025-03495-w.

NR/HN/AlphaGalileo

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