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A adesão terapêutica é um elemento-chave na gestão das doenças crónicas, particularmente no controlo dos fatores de risco cardiovascular, como a hipertensão arterial, a dislipidemia e a diabetes mellitus. Estes fatores, quando não controlados, aumentam de forma significativa o risco de eventos cardiovasculares, como o acidente vascular cerebral, que ainda constituem a principal causa de morbimortalidade no nosso país.
Apesar da existência de fármacos eficazes e bem tolerados, a adesão insuficiente ao tratamento é um problema comum na prática clínica. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, estima-se que cerca de metade dos doentes com doenças crónicas não cumpra o tratamento, o que se traduz num controlo subótimo dos fatores de risco, aumento de complicações associadas, custos acrescidos para os sistemas de saúde e redução da qualidade de vida dos doentes.
A adesão terapêutica é influenciada pela complexidade dos esquemas terapêuticos, efeitos adversos, baixa literacia em saúde, crenças e atitudes face à doença, bem como fatores socioeconómicos. Nesse sentido, é essencial promover a adesão terapêutica, investindo na educação terapêutica, promovendo a compreensão sobre a importância do tratamento e envolvendo o doente no seu autocuidado, o que requer uma abordagem centrada no doente, tendo por base uma relação de confiança estabelecida entre médico e doente. Estratégias eficazes a implementar incluem a simplificação dos regimes terapêuticos e o uso de polypill. Esta medida, que consiste na combinação de vários medicamentos cardiovasculares num único comprimido, permite reduzir o número de tomas diárias, simplifica o tratamento e tem demonstrado melhorias significativas na adesão e no controlo dos fatores de risco cardiovascular, reforçando o seu valor clínico e até económico. Outras estratégias a implementar incluem o uso de lembretes eletrónicos, a monitorização regular e o envolvimento ativo do doente e da família e até de estruturas sociais na gestão terapêutica.
Em resumo, a adesão terapêutica é determinante para o sucesso no controlo dos fatores de risco cardiovascular. Promover e facilitar essa adesão, através de estratégias educativas, tecnológicas e farmacológicas como a polypill, é essencial para melhorar os resultados em saúde, reduzir complicações e contribuir para uma maior longevidade e qualidade de vida da população.
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