Plano Local de Saúde do Baixo Alentejo traça metas até 2030 para cinco doenças prioritárias

11 de Novembro 2025

A Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo definiu as suas prioridades para a presente década, com um plano que elege o cancro do pulmão, o AVC, a diabetes, a hipertensão e a obesidade como batalhas centrais. O documento, que será apresentado publicamente em Beja, estabelece metas mensuráveis para 2030, incluindo a redução da mortalidade e o aumento do rastreio. A construção do plano envolveu entidades de vários setores, partindo de um diagnóstico que ouviu a população

O Baixo Alentejo colocou o combate ao cancro da traqueia, brônquios e pulmão no topo da sua agenda de saúde para os próximos anos, um desígnio a que se juntam o acidente vascular cerebral (AVC), a diabetes, a hipertensão arterial e a obesidade. Estes cinco problemas constituem o cerne do Plano Local de Saúde 2030, um instrumento estratégico que a Unidade Local de Saúde do Baixo Alentejo (ULSBA) vai apresentar à comunidade.

A elaboração do plano mobilizou um leque alargado de atores, desde serviços de saúde a autarquias, escolas e forças de segurança. Numa fase inicial, o grupo de trabalho auscultou a população, tendo identificado catorze problemas de saúde. Desse conjunto, emergiram como prioritários o AVC e o cancro do pulmão, aos quais se acrescentaram depois a diabetes, a hipertensão e a obesidade, patologias sinalizadas como críticas pelos profissionais de saúde da instituição.

“Ficámos, então, com cinco problemas prioritários para os quais definimos objetivos, tentámos mensurar o que é que nós queremos atingir em 2030”, explicou à Lusa a coordenadora técnica do plano, Sara Duarte. O documento, que ela descreve como um instrumento “estratégico e operacional”, visa melhorar a saúde e o bem-estar dos baixo-alentejanos, promovendo ganhos em saúde e reforçando a colaboração intersetorial.

No capítulo específico do AVC, a ULSBA ambiciona aumentar em 50% o número de utentes entre os 40 e os 65 anos com avaliação de risco cardiovascular registada. Paralelamente, a estratégia passa por reduzir a taxa de mortalidade padronizada em 10% e a mortalidade prematura em 20% para as faixas etárias abaixo e acima dos 65 anos, respetivamente.

Para travar o cancro do pulmão, as atenções viram-se para o consumo tabágico. A meta estabelecida é uma redução de 10% na prevalência do diagnóstico de “abuso de tabaco” nos utentes inscritos. Almeja-se ainda uma quebra de 5% nas taxas de mortalidade, tanto padronizada como prematura, por este tipo de tumor maligno. O plano prevê também a expansão da rede de consultas de cessação tabágica para cinco pontos na região.

No terreno da diabetes, para além da esperada redução da mortalidade, o plano encara como crucial diminuir em 20% as amputações por pé diabético. Outro desígnio é conseguir que 60% dos utentes adultos com risco de desenvolver a patologia e 90% dos doentes com diabetes mellitus realizem o exame oftalmológico.

A hipertensão arterial é outro alvo, com a intenção de aumentar para 60% a proporção de hipertensos com acompanhamento adequado. A ULSBA espera ainda ver decrescer em 5% a percentagem de utentes adultos com hipertensão e, na mesma medida, a dos que desenvolvem complicações associadas à doença.

Quanto à obesidade, o plano estabelece uma meta global de redução da sua incidência em 10% em todas as idades. A ambição estende-se ao excesso de peso e à obesidade infantil, onde se pretende uma quebra de 15%, e à obesidade em adultos, com um objetivo de diminuição de 10%.

Sara Duarte sublinhou que a saúde transcende os serviços de saúde. “A saúde define-se pelo que nós fazemos, [ou seja] quando acordamos, o trabalho que temos e as atividades que praticamos”, afirmou, acrescentando que o propósito do plano é fazer com que todas as pessoas entendam o papel que desempenham no seu próprio estado de saúde. O enfarte do miocárdio e a depressão foram alguns dos problemas que ficaram de fora do quadro de prioridades.

A apresentação pública do Plano Local de Saúde do Baixo Alentejo 2030 está agendada para quinta-feira, dia 13 de novembro.

NR/HN/Lusa

0 Comments

Submit a Comment

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

ÚLTIMAS

Joana Bordalo e Sá (FNAM): “Não há eficiência possível num serviço cronicamente asfixiado”

Em entrevista exclusiva ao Healthnews, Joana Bordalo e Sá, Presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM), traça um retrato severo do estado do Serviço Nacional de Saúde. A líder sindical acusa o governo de Luís Montenegro de negar a realidade de um “subfinanciamento estrutural” e de uma “má governação” que asfixiam o SNS. Garante que a FNAM não abdicará da luta, integrando a Greve Geral de 11 de dezembro, e exige um pacto fundamental que garanta um serviço público, universal e com condições para os profissionais

MAIS LIDAS

Share This
Verified by MonsterInsights