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Um terço dos cerca de um milhão de portugueses com diabetes vive com sinais de retinopatia diabética, uma lesão da retina que pode culminar em perda total de visão. A campanha “Se vive com diabetes, vigie os seus olhos”, lançada por várias sociedades médicas e associações de doentes, veio sublinhar a dimensão de um problema de saúde pública que muitos continuam a ignorar.
João Figueira, presidente do Grupo de Estudos da Retina-Portugal, realça que a esmagadora maioria dos doentes desconhece o perigo que corre. “Todos os diabéticos devem fazer um controlo oftalmológico regular. Não chega medir a glicemia”, insiste o especialista, notando que a patologia exige uma vigilância mais abrangente. O controlo rigoroso da tensão arterial e dos níveis de colesterol, a par da adoção de estilos de vida saudáveis e do abandono do tabaco, constituem, na sua perspetiva, pilares decisivos para travar o aparecimento e a progressão das lesões oculares.
O timing do rastreio difere consoante o tipo de diabetes. Figueira especifica que os portadores de diabetes tipo 1 só devem iniciar os exames anuais cinco anos após o diagnóstico. Já para os de tipo 2, a vigilância deve começar imediatamente. O risco, embora omnipresente, agrava-se com a duração da doença e a acumulação de fatores de risco.
Pedro Menéres, presidente da Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, corrobora a gravidade da situação. Dados oficiais do Programa Nacional para a Diabetes, citados por Menéres, situam a prevalência de retinopatia entre os 20% e os 25%, números que a confirmam como a principal causa de cegueira evitável na população economicamente ativa. “É um problema premente de saúde pública em Portugal”, declarou, ecoando o alerta.
Esta campanha de sensibilização, uma iniciativa conjunta do Grupo de Estudos da Retina-Portugal, Sociedade Portuguesa de Oftalmologia, Sociedade Portuguesa de Diabetologia e Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal, aposta nas redes sociais para chegar diretamente aos doentes. A mensagem surge num contexto de crescimento histórico da diabetes no país, que no ano passado atingiu uma prevalência de 14,2% da população, com mais de 88 mil novos casos registados nos Cuidados de Saúde Primários, segundo o último relatório do Observatório Nacional da Diabetes.
NR/HN/Lusa


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