Sami Meniri, Head of Specialty Care Especializados da Sanofi Portugal

A emergência silenciosa da Saúde Respiratória: é hora de agir pelos portugueses

11/12/2025

A asma e a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) representam mais do que doenças respiratórias crónicas — constituem uma emergência silenciosa que afeta milhares de famílias portuguesas. Estas doenças não se limitam a restringir atividades diárias; diminuem a qualidade de vida, reduzem a produtividade laboral e colocam uma pressão insustentável no orçamento do Serviço Nacional de Saúde. A realidade é clara: o diagnóstico precoce permanece insuficiente e muitos doentes necessitam de acesso a cuidados especializados.

Todos já sentimos uma vez na vida a angústia da falta de ar. Mas para quem vive com DPOC, essa é uma sensação diária, como tentar respirar através de uma palhinha com o nariz tapado. O ar é o recurso mais essencial à vida, mas para estes doentes esta batalha é constante. Ninguém deveria ter de lutar para respirar.

Para compreendermos a verdadeira dimensão desta emergência silenciosa em Portugal, basta olhar para os números. A DPOC é já a quinta principal causa de morte no nosso país, sendo responsável por 2.000 mortes por ano, e é provocada essencialmente por fatores de risco, sendo o tabagismo o principal. O seu impacto económico é igualmente avassalador, ascendendo a três mil milhões de euros em custos anuais para a nossa sociedade. Talvez o dado mais alarmante seja o do subdiagnóstico: apenas dois em cada dez doentes estão identificados, numa realidade em que 70% da população nem sequer conhece a doença.

Um em cada três internamentos por doenças respiratórias com necessidade de ventilação é causado pela DPOC, o que reflete a gravidade da doença nas suas fases mais avançadas.

Perante este cenário, só podemos ter um objetivo comum e inadiável: tornar a DPOC uma prioridade de Saúde Pública em Portugal. Mas esta prioridade não pode ser apenas um item numa agenda política; tem de ser o reconhecimento de uma doença que não dá tréguas.

Esta luta diária é agravada por fatores que, muitas vezes, estão fora do controlo individual. As doenças respiratórias são diretamente impactadas por fatores ambientais. A poluição e as alterações climáticas não são ameaças futuras; são realidades presentes que exacerbam estas condições. É por isso que a nossa missão tem de ser clara: educar, prevenir, diagnosticar e tratar, garantindo que todos tenham acesso equitativo não só a cuidados de saúde, mas ao próprio ar que respiram.

Assumindo o seu papel enquanto motor da ciência e inovação, a indústria farmacêutica deve adotar um compromisso holístico em diversas áreas: prevenção e educação em saúdeacesso rápido e sustentável a terapêuticas inovadoras que melhorem a qualidade de vida e reduzam custos no sistema de saúde, incluindo Programas de Acesso Precoce; promoção da sustentabilidade ambiental, reconhecendo a sua ligação à saúde humana; e investimento em investigação clínica e dados de mundo real, essenciais para políticas públicas eficazes e baseadas em evidência.

O momento de agir é agora, porque a realidade dos doentes com DPOC em Portugal é insustentável: a frustração ligada a exacerbações que frequentemente levam a hospitalizações e à perda irreversível da função pulmonar, bem como a expectativa de aceder a novas soluções terapêuticas que possam melhorar a qualidade de vida, são questões prementes e inadiáveis.

Quebrar este ciclo exige uma ação em duas frentes. A primeira é a de hoje: a urgência de otimizar o nosso sistema de saúde. Apelamos, por isso, à implementação de um verdadeiro Plano Nacional para a DPOC, que garanta o acesso universal ao diagnóstico com espirometrias e a programas de reabilitação respiratória e cessação tabágica.

A segunda é a do amanhã: a promessa da ciência. Pela primeira vez em muito tempo, terapêuticas biológicas, que atuam sobre os mecanismos da própria doença como a inflamação tipo 2, trazem uma esperança real de alterar o curso da DPOC.

A questão fundamental não é “se podemos permitir-nos investir no diagnóstico e na inovação”, mas antes “se podemos permitir-nos continuar a negar a milhares de portugueses o direito fundamental de respirar”.

Transformemos este desafio na oportunidade de dar a Portugal, e aos seus cidadãos, “Mais Ar Para Viver”.

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